Monte assinalou 104º aniversário da morte do Beato Carlos com apelo à fidelidade cristã

Foto: Duarte Gomes

A Igreja de Nossa Senhora do Monte acolheu, na passada quarta-feira, dia 1 de abril, a Eucaristia solene evocativa do 104.º aniversário da morte do Beato Carlos de Áustria, celebração presidida pelo bispo da Diocese do Funchal, D. Nuno Brás.

Na homilia, o prelado centrou a sua reflexão em dois pontos essenciais para a vida cristã, começando pelo “mistério da traição”, que, explicou, surge “quando os critérios humanos se querem sobrepor aos critérios de Deus”. Evocando as figuras de Judas e de Pedro, sublinhou que ambos falharam na fidelidade: “Judas está desiludido” e acaba por entregar Jesus, enquanto Pedro, confrontado, afirma: “não conheço esse homem”.

O bispo destacou que esta realidade não está distante da vida dos cristãos de hoje, lançando uma interpelação direta: “Serei eu?”, repetindo a pergunta dos discípulos na Última Ceia. “Quantas vezes traíste o mestre? Quantas vezes disseste que não o conhecias? Que não eras cristão? Que não te importavas com a fé? Quantas vezes?”, questionou, apontando que a traição acontece “por palavras, por obras, por intenções”.

Neste contexto, apresentou o Beato Carlos como exemplo de fidelidade: “Ele que sofreu também a traição dos seus, mas que não traiu o mestre”. Recordando o exílio e o sofrimento vivido na Madeira, sublinhou que o imperador “sofre o exílio para não negar a missão que percebia que lhe tinha sido confiada por Deus”, vivendo tudo com profunda fé.

Num segundo momento da reflexão, D. Nuno Brás destacou a fidelidade de Deus, mesmo perante as infidelidades humanas: “Mesmo apesar de sermos nós a trair o Senhor, de tantas vezes o termos abandonado, Ele permanece sempre fiel”. E recordou as palavras de Jesus: “É em tua casa que eu quero celebrar a Páscoa”, explicando que essa casa é o coração de cada pessoa.

“Tal pessoa somos nós, é no teu coração que EU quero celebrar a Páscoa”, afirmou, convidando os fiéis a acolherem Cristo de forma concreta nesta Semana Santa. “Não passes inadvertido ao longo desta Semana Santa. Deixa que o Senhor entre em tua casa, deixa que o Senhor te incomode, que o Senhor te desarranje a maneira de ser e de viver”, apelou.

O bispo apontou ainda esta presença de Deus como fonte da serenidade do Beato Carlos, mesmo no sofrimento: “Como sofre, mas ao mesmo tempo com que serenidade vivia todos esses sofrimentos”, disse, sublinhando que essa paz nasce da confiança em Deus.

A concluir, D. Nuno Brás convidou os fiéis a abrirem o coração a Cristo: “Pedimos ao Senhor que venha celebrar a Páscoa em nosso coração”, pedindo também a intercessão do beato “para que a celebração da Páscoa não seja apenas uma realidade de um dia, mas seja a realidade de toda a nossa vida”.

A celebração evocativa, que incluiu ainda a recitação de uma oração junto do túmulo do imperador, reuniu vários fiéis no Monte, assinalando mais um aniversário da morte do Beato Carlos de Áustria, figura profundamente ligada à Madeira, onde viveu os últimos tempos da sua vida e onde é hoje recordado como exemplo de fé, fidelidade e esperança cristã.