Apresentados livro e gravação do Tríduo Pascal. “É verdadeiramente uma forma de ajudar os nossos cristãos a fazer Páscoa” — D. Nuno Brás

Foto: G.A.

O Coro de Sacerdotes da Diocese do Funchal, apresentou na terça-feira da Semana Santa, 31 de março, na Igreja de Santo Amaro, o livro e a gravação “Ofício de Leituras e Laudes – Tríduo Pascal”, numa iniciativa em colaboração com a Escola Diocesana de Música Sacra. Na sessão, que contou com a presença do bispo do Funchal, D. Nuno Brás, foi dada a conhecer a edição revista e corrigida da obra composta pelo padre Ignácio Rodrigues, bem como a gravação áudio do Ofício de Leituras e Laudes de Sexta-Feira Santa e de Sábado Santo, agora disponibilizada em pen drive e nas plataformas digitais.

Na sua intervenção D. Nuno Brás sublinhou a importância da música na vivência do mistério pascal: “A Sagrada Escritura a primeira vez que fala de canto é a propósito da Páscoa de Israel. E a Páscoa foi sempre aquela grande realidade da história que não se conseguia dizer apenas com palavras”, afirmou.

O prelado destacou ainda a capacidade da música sacra para aprofundar a experiência da fé e para ajudar os cristãos a entrar mais plenamente no coração do mistério celebrado. Falando especificamente da música apresentada referiu que “faz com que as palavras digam mais. E por isso, cada um de nós, tocado por estas melodias, possa viver, fazer seu, de uma forma mais intensa, talvez mais perfeita, a morte e a ressurreição de Jesus”.

Sobre o alcance pastoral desta obra, D. Nuno Brás deixou também uma palavra de agradecimento aos sacerdotes envolvidos no projeto. “Quero agradecer muito ao senhor padre Ignácio e aos senhores padres que se dispuseram a gravar estas músicas, estes ofícios da Semana Santa, do Tríduo Pascal. É verdadeiramente uma forma de ajudar os nossos cristãos a fazer Páscoa. E isso é tudo o que um bispo pode desejar, nada mais que isso”, disse. E concluiu: “Que ajudados por estas melodias, ajudados por todo este ambiente que nos acalma, nós nos disponhamos verdadeiramente, a viver melhor esta Páscoa do Senhor”.

Nas palavras de abertura, o padre Ignácio Rodrigues explicou que a apresentação inicialmente prevista acabou por assumir um formato mais simples devido ao falecimento da sua mãe. “A minha mãe viveu muito esta gravação e cantava estas músicas”, referiu. O sacerdote assinalou também a persistência colocada neste trabalho, resumindo-a numa expressão breve e expressiva: “Fomos teimosos”.

Segundo o compositor, este ofício já foi cantado várias vezes na Sé, na Sexta-Feira Santa e no Sábado Santo. A nova edição surge agora acompanhada de recursos adicionais, incluindo um código QR no livro, e a gravação será também disponibilizada online, “em ficheiros separados e num ficheiro único de cada dia”.

Na apresentação do enquadramento litúrgico da obra, o padre Tiago Andrade explicou o sentido da Liturgia das Horas e a oportunidade desta reedição em tempo de Semana Santa. “O livro da Oração de Laudes e Ofício de Leituras musicado pelo Pe. Inácio e cuja reedição hoje se apresenta — com esta novidade da disponibilidade em áudio de todas as partituras pelo Coro de Sacerdotes da Diocese do Funchal, recente iniciativa e que nasce justamente com esta gravação — surge nesta semana como um verdadeiro suplemento, surge na hora certa, como um apoio para melhor entrar no espírito orante próprio do tríduo pascal, que dentro de poucos dias viveremos”.

O sacerdote recordou que as Laudes e o Ofício de Leituras integram a chamada Liturgia das Horas, que descreveu como “a organização do dia sob o pano de fundo do louvor que, a cada hora se oferece a Deus”. Mais adiante, classificou esta tradição como “uma verdadeira ‘pedagogia orante’ e uma forma de ver o tempo, uma ‘espiritualidade do tempo’”.

Na sua reflexão, o padre Tiago Andrade associou ainda o valor do rito e do canto à vivência cristã do tempo e da memória. “O rito dá densidade ao tempo, cria expectativa, abre espaço à alegria. Toda a organização do ano litúrgico é, no fundo, uma pedagogia da alegria”, afirmou. E acrescentou: “Ora, daqui decorre que o exercício de orar é um exercício que nos faz caminhar na verdade, porque nos guarda da amnésia espiritual e existencial”.

A concluir, destacou o papel da música como veículo de memória espiritual: “A música lembra-nos que o acontecimento passa, mas a salvação permanece.” Sobre a obra apresentada, disse ainda tratar-se de “um instrumento que nos ajuda a habitar o tempo de forma nova, a entrar mais plenamente neste mistério que celebramos e que, na verdade, nos envolve e transforma” e acrescentou, “É esse o canto que hoje apresentamos, o canto como ‘resgate do essencial’, sob a batuta do Pe. Ignácio”.

Sob a direcção do padre Ignácio Rodrigues, o Coro de Sacerdotes da Diocese do Funchal integra os padres André Pinheiro, Diogo Sousa, Giselo Andrade, Héctor Figueira, João Gonçalves, Marco Abreu, Marcos Rebelo, Paulo Sérgio, Ronald Vieira e Tiago Andrade. 

O álbum de Sábado Santo já se encontra disponível no YouTube, clique aqui.