Importância da Legião de Maria no mundo de hoje em destaque na celebração da “Acies”

D.R.

Num mundo marcado por divisões, conflitos e afastamento da fé, a missão da Legião de Maria revela-se hoje particularmente atual, ao propor levar Jesus Cristo a todos e reunir a humanidade à sua volta. Foi esta dimensão que esteve em destaque na celebração da “Acies”, solenidade principal desta associação de fiéis.

Por altura do dia 25 de março a Legião de Maria, associação de católicos que, com a aprovação da Igreja e sob a poderosa chefia de Maria Imaculada, Medianeira de todas as graças, celebra a festa da “Acies”, a sua solenidade principal.

É durante esta celebração que é feita a consagração dos legionários a Nossa Senhora. Este ano, essa consagração aconteceu no pretérito sábado, dia 28 de março, durante uma Eucaristia na Igreja de São Pedro, presidida pelo bispo do Funchal, D. Nuno Brás.

Na homilia, o prelado começou por refletir sobre as leituras proclamadas, sublinhando aquilo que classificou como um “raciocínio político” presente no Evangelho. “Antes de nós, acabámos de escutar aquilo a que nós poderíamos dizer um raciocínio político”, afirmou, referindo-se à atitude do sumo sacerdote perante Jesus, “confrontado com Jesus, com a sua doutrina e com os milagres que Ele fazia”.

Destacou a preocupação em evitar tumultos em Jerusalém, sobretudo numa altura sensível como a proximidade da Páscoa: “Percebe que ali está um potencial perigo para a sobrevivência do judaísmo… não convém que haja tumultos em Jerusalém”. Numa ponte com a atualidade, acrescentou: “Estou a pensar precisamente em Jerusalém, nos cristãos de Jerusalém, que neste momento se veem impedidos de celebrar como habitual, por causa da guerra, da violência”.

D. Nuno Brás explicou que, segundo esse raciocínio, “é melhor que morra um do que termos mais mortes, é melhor que morra um pelo povo”, sublinhando tratar-se de “um raciocínio político”. Contudo, destacou que esta lógica ganha um sentido mais profundo à luz da fé: “São João diz que ele não sabia o que estava a dizer”, pois, ao mesmo tempo, “estava também a profetizar”.

“Estava a dizer que Jesus havia de morrer, não apenas pelo povo de Israel, mas pelo mundo inteiro”, afirmou, acrescentando que Cristo morre “para reunir não apenas o povo de Israel, mas a humanidade inteira”. E reforçou: “Profetizar significa que Deus falou pela boca de um”.

“O Senhor Jesus irá morrer, um apenas, pelo mundo inteiro, daquele tempo e de todos os tempos e lugares. Ali, em Cristo, estamos também nós, cada um de nós”, disse ainda o prelado que sublinhou depois que “a cruz de Jesus Cristo é aquele momento, aquele lugar, aquele centro, onde tudo vai parar”, comparando-a ao “olho do furacão, onde tudo gira à sua volta, mesmo que eu não saiba, mesmo que eu não creia”.

“Este Um que morre por todos”, continuou, “procura que todos vivam n’Ele”, acrescentando: “Tudo em Cristo. Instalar tudo em Cristo. Colocar Jesus Cristo em todos os lados, em todos os corações”.

O bispo do Funchal destacou então a missão da Legião de Maria, questionando: “Que é a Legião de Maria?”, para responder: “Senão este conjunto de homens e mulheres que levam Jesus Cristo, que procuram que tudo seja, que tudo caminhe, que tudo se reúna à volta de Jesus Cristo”.

E insistiu: “Colocar Jesus Cristo. Falar de Jesus Cristo. Levar Jesus Cristo. Mostrar Jesus Cristo”. Reconhecendo as limitações humanas, afirmou: “Sem meios. Mas os apóstolos também não tinham meios… Uma Legião sem muita gente. Mas os apóstolos eram doze. Por isso, aqui ainda estamos mais”.

Por isso, deixou um apelo claro à perseverança: “Não desistimos. Não desistimos nunca desta tarefa que o Senhor nos confiou de levar a todos”, para que “todos encontrem n’Ele o seu lugar” e “a sua salvação”.

Num mundo marcado por divisões e conflitos, D. Nuno Brás sublinhou a atualidade desta missão: “Neste mundo de divisões, em que todos andam contra todos, em que tudo parece dividido… o que queremos nós? Que tudo se reúna em Nosso Senhor Jesus Cristo”.

E acrescentou: “Que tudo encontre o seu lugar em Nosso Senhor Jesus Cristo. E, por isso, não desistimos nunca de O levar, de O fazer encontrar, de fazer com que tudo gire à sua volta”.

A concluir, convidou os legionários a renovarem a sua consagração com espírito de entrega: “Neste dia em que renovamos a nossa consagração… peçamos ao Senhor a força, a disponibilidade, a coragem da entrega”.

E terminou com um apelo concreto: “Para não desistir de O levar, de O fazer conhecido… a tantos, mesmo daqueles que, apesar de já conhecerem o seu nome, ainda andam tão distantes d’Ele”, convidando ainda a que, “num momento de silêncio, renovemos a nossa disponibilidade e a nossa entrega”.

A Legião de Maria é uma associação de católicos que, com a aprovação da Igreja e sob a poderosa chefia de Maria Imaculada, Medianeira de todas as graças, se constituíram em Legião para servir na guerra perpetuamente travada pela Igreja contra o mundo e as potências do mal.

Dada a importância da devoção à Santíssima Virgem dentro da Legião, os legionários consagram-se, todos os anos individual e coletivamente a Nossa Senhora, no dia 25 de Março ou noutro dia conveniente, nas proximidades desta data, numa cerimónia que tem o nome de Acies. Esta palavra latina, que significa um exército em ordem de batalha, designa, com razão, a cerimónia em que legionários, como um só corpo, reúnem-se para renovar a sua fidelidade a Maria, Rainha da Legião, e dela receber a força e a bênção para um novo ano de combate contra o exército do mal.