A vida cristã tem o seu centro em Cristo. Conhecê-Lo, amá-Lo e imitá-Lo é o caminho essencial da fé, como recordou São João Paulo II. Os Evangelhos são indispensáveis para esse encontro, mas deixam-nos também diante de um grande silêncio. Sabemos muito pouco sobre a maior parte da existência terrena de Jesus. O que nos é narrado concentra-se sobretudo na sua vida pública. É precisamente neste contexto que São José me interpela pessoalmente. A sua figura recorda-nos que a maior parte da vida de Jesus foi vivida no recato de uma família, no silêncio de uma casa, no trabalho de uma oficina, na oração e na fidelidade da vida religiosa de Nazaré. José e Maria são, por isso, as grandes testemunhas desse Cristo escondido, quotidiano e humilde, que os Evangelhos apenas deixam entrever.
Esta realidade convida-nos a contemplar Deus não tanto a partir do extraordinário e do luminoso, mas pela humildade de uma vida simples em Nazaré. O Filho de Deus quis passar a maior parte da sua vida de forma discreta e escondida. Quis crescer no tempo, amadurecer no silêncio, aprender como aprende uma criança, entrar no ritmo lento dos dias humanos. O Verbo eterno não desprezou o processo paciente do crescimento e do desenvolvimento humano, nem recusou a escola humilde dos dias. Em Jesus, até o crescimento foi lugar de revelação.
São José permanece junto deste mistério como testemunha discreta. Não o vemos a falar, nem ocupar o centro da cena. Mas vemo-lo presente no essencial. Ele escuta, acolhe, protege, trabalha, conduz e guarda. Recebeu de Deus o dom da paternidade, uma paternidade que nasce da obediência e da coragem. Foi-lhe confiado o Menino e dada a missão de Lhe dar um nome e acompanhar o seu crescimento “em sabedoria, em estatura e em graça” (Lc 2, 52). A sua grandeza não está em se impor, mas em servir.
Jesus era conhecido como o “filho do carpinteiro” (Mt 13, 55). Ao olhar para São José, entreabrem-se diante de nós os dias longos de Nazaré. Imaginamos a oficina, as madeiras, os instrumentos de trabalho, as mãos gastas, o suor honesto, a fidelidade da vida quotidiana, o pão de cada dia. Em São José desperta-se uma consciência muitas vezes esquecida: o Redentor do mundo quis passar tantos anos numa vida simples, diligente e escondida. Quis santificar o trabalho, a dedicação, a rotina e até o cansaço. O quotidiano deixa então de ser um espaço vazio entre grandes acontecimentos e torna-se lugar privilegiado de encontro com Deus.
São José fala-nos também da vivência da fé, tanto em casa como na sinagoga de Nazaré. Como rezava Jesus? Como escutava a Palavra? Como vivia as festas do seu povo? Como aprendeu os gestos da fé? Podemos não obter muitas respostas, mas sabemos que o testemunho de fé de José e Maria foi essencial.



















