Conversão 

D.R.

S. Máximo Confessor foi um teólogo do século VII, um dos grandes pensadores dos primeiros tempos do cristianismo. A ele se deve a afirmação de que “nada é tão grato a Deus e conforme ao seu amor como a conversão dos homens a ele com sincero arrependimento”.

No que diz respeito à nossa atitude para com Deus, a conversão — quer dizer: a atitude de abandonarmos um ponto de vista para adoptarmos um outro — diz-se, em primeiro lugar, quando alguém deixa a sua primeira religião para se converter a uma outra. 

Assim, falamos da conversão de S. Paulo, que deixou o judaísmo para se fazer cristão; ou de S. Agostinho que, mesmo certo da verdade do Deus único, demorou a tomá-lo a sério e a fazer-se baptizar; ou de Paul Claudel, no século XX, que de ateu passou a cristão depois de ter escutado o coro da Catedral de Notre Dame em Paris. Para estes homens, a conversão foi um momento de graça, um momento único de encontro com Deus, em que toda a sua vida mudou. Mesmo assim, teve que ser confirmada no quotidiano, com opções, com comportamentos conformes ao Evangelho.

Contudo, para a grande maioria, que bebemos a fé cristã com o leite materno, a conversão consiste antes na luta quotidiana para deixarmos de lado o pecado, as nossas más atitudes, pensamentos, palavras e obras — mas, também, omissões — para, ajudados pela graça de Deus, nos irmos aos poucos transformando, convertendo. É um trabalho diário, constante, com muitas quedas e dificuldades, por meio do qual nos vamos aproximando de Deus e vamos deixando que Ele nos transforme.

É uma atitude que não raras vezes provoca cansaço, sentimento de incapacidade e mesmo desânimo. Mas, quando é sincera, é também a atitude que, no dizer de S. Máximo Confessor, mais agrada ao próprio Deus!