A Agência Ecclesia destacou ontem, dia 19 de março, o Pontifício Colégio Português, em Roma, através de uma série de artigos centrados na vida da instituição e no testemunho de vários membros da comunidade. Nas entrevistas publicadas, o reitor, padre António Estêvão Fernandes, sacerdote madeirense, apresentou o colégio como um espaço onde a matriz portuguesa convive com uma forte dimensão universal da Igreja.
Ao assinalar os 125 anos da instituição, celebrados em 2025, o responsável salientou a importância de preservar a identidade nacional no coração de Roma. “O 13 de maio é sempre significativo. E essa portugalidade, celebramo-la aqui na identidade litúrgica, naturalmente, tem a sua marca portuguesa, porque continuamos a celebrar em português”, disse à Agência Ecclesia.
Essa identidade, acrescentou, passa também por práticas culturais e tradições que ajudam a marcar o quotidiano da casa. “Até culturalmente falando, com o Magusto, por exemplo, essas pequenas tradições que são nossas, identitárias, mas que são apreciadas pelo resto do mundo aqui em casa”, referiu.
Num dos eixos destacados pelo reitor está igualmente a renovação da presença digital do colégio, numa tentativa de aproximar a vida da instituição das comunidades de origem dos sacerdotes residentes. “Temos uma presença maior nas redes, com um novo site, com um logo que nos fala também da proximidade à Basílica, mas com a marca portuguesa”, precisou. Segundo o padre Estêvão Fernandes, esse esforço permite mostrar que, em Roma, “aqui também se celebra, se reza, se vive, se forma de maneira muito particular e de maneira muito concreta”.
A dimensão internacional do Pontifício Colégio Português foi outro dos temas centrais das reportagens. O reitor sublinhou que a casa acolhe atualmente sacerdotes de seis nacionalidades e que, ao longo dos seus 125 anos de história, recebeu membros de 65 países diferentes. “É muito bonito esta casa transparecer a catolicidade da Igreja”, afirmou.
Na mesma linha, explicou que a prioridade da instituição é criar um ambiente fraterno e familiar para quem chega de diferentes contextos culturais. “Procuramos oferecer um espaço em que os quatro cantos do mundo aqui presentes, nas suas várias culturas, se sintam em casa e que sintam fraternalmente bem uns com os outros”, indicou. Para o reitor, essa convivência diária tem um valor formativo decisivo: “Não é só o trabalho nas universidades, a disciplina teórica propriamente dita, que os forma, mas também é formativa a capacidade de sermos capazes de viver em comum na diversidade das culturas e das disciplinas que estudamos, de debater ideias em comum e construir caminho”.
A experiência concreta dessa convivência foi aprofundada também por outros sacerdotes entrevistados pela Ecclesia. O padre sul-coreano Teófilo Lim destacou o ambiente de fraternidade vivido no colégio e a riqueza espiritual da diversidade. “Gosto muito de viver aqui, na universalidade que Roma simboliza, mais concretamente. E neste colégio vive-se essa universalidade, digamos também interculturalidade”, disse. O sacerdote explicou ainda que a partilha quotidiana com colegas de vários continentes lhe dá uma perceção mais profunda da Igreja e da fé: “Além disso, isso proporciona-nos realmente um grande enriquecimento, porque somos diferentes; ao viver aqui e ao encontrar estes amigos tão queridos, aprendo verdadeiramente quão grande é o nosso Deus”, e acrescentou: “Também me sinto como numa família, como irmãos, digamos, verdadeiramente como irmãos”.
Também o padre chileno Felipe Pérez, do Instituto dos Padres de Schoenstatt, valorizou a partilha humana, espiritual e cultural proporcionada pela vida no colégio. “A verdade é que a própria experiência demonstrou que tem sido uma riqueza mútua. Tanto para nós, que viemos da vida consagrada, e não da vida diocesana. Como para o próprio colégio, um enriquecimento mútuo da experiência”, afirmou. Para o sacerdote, o tempo vivido em Roma vai muito além do estudo académico: “É também um tempo para confraternizar, fazer amigos, conhecer outras experiências, crescer interiormente e espiritualmente e, nesse sentido, a dimensão comunitária, de ir construindo um lar, de nos tornarmos uma família, de fazer amigos de todas as partes do mundo, é verdadeiramente uma das coisas bonitas que este tempo nos oferece, esta experiência aqui no Colégio”.
Nas vários artigos publicados, a Ecclesia mostrou ainda como o colégio acompanha temas mais vastos da vida da Igreja, como a preparação da Jornada Mundial da Juventude de Seul 2027, depois da edição de Lisboa em 2023. “O Colégio, enquanto Colégio, irá à Jornada Mundial da Juventude na Coreia. E, portanto, estamos a preparar-nos para isso”, adiantou o reitor. Do lado sul-coreano, Teófilo Lim assumiu esse legado como estímulo: “Queremos partilhar, queremos também herdar e dar continuidade a este sucesso”.
Fundado em 1900, no pontificado de Leão XIII, o Pontifício Colégio Português continua ao serviço da formação de sacerdotes das dioceses portuguesas e de outras proveniências, afirmando-se, segundo os testemunhos reunidos pela Agência Ecclesia, como uma casa onde identidade nacional, universalidade da Igreja e vida comunitária se cruzam de forma singular.



















