D. Nuno Brás, bispo do Funchal e vice-presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE), criticou a possibilidade de verbas europeias serem usadas para financiar o aborto transfronteiriço, defendendo que esta continua a ser uma matéria da competência de cada Estado-membro.
Em declarações à Agência ECCLESIA, o bispo do Funchal lamentou que, perante este debate, se esteja “no seio de uma cultura que não é a cultura da vida”, considerando que existem pressões nas instituições europeias para impor uma visão comum sobre o aborto, contrariando a autonomia legislativa dos países da União Europeia.
A COMECE saudou a decisão da Comissão Europeia de não criar um novo programa de financiamento solicitado pela iniciativa «My Voice, My Choice», mas alertou para a possibilidade de fundos já existentes, como o Fundo Social Europeu Mais, poderem vir a ser utilizados para esse fim.
D. Nuno Brás contestou essa hipótese, sublinhando que verbas destinadas ao apoio social e às famílias não devem ser desviadas para financiar abortos realizados noutros países. “Os cidadãos não concordam com aquilo que é o deslocamento de fundos de apoio social a pessoas pobres, e a cidadãos pobres da União Europeia, para aquilo que se chama já o ‘turismo do aborto’”, afirmou.
O responsável apelou ainda à participação na Caminhada pela Vida, marcada para 21 de março, em 12 cidades portuguesas, considerando que a iniciativa pode tornar visível que não existe unanimidade social em torno do aborto nem do uso de fundos europeus para esse objetivo.






















