Conselho Nacional da Associação Guias de Portugal encerra com Eucaristia no Colégio

Foto: AGP

O 58º Conselho Nacional da Associação Guias de Portugal terminou no passado sábado, 14 de março, com a celebração de uma Eucaristia na Igreja do Colégio, presidida pelo bispo do Funchal, D. Nuno Brás. A celebração marcou o encerramento dos trabalhos do encontro, reunindo participantes num momento de fé, reflexão e ação de graças.

Na homilia, o prelado partiu de um episódio bíblico relacionado com o profeta Samuel e a escolha de David como rei, recordando a frase: “Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, mas o Senhor vê o coração”.

A partir desta passagem, o bispo destacou que a sociedade atual vive frequentemente marcada pelas aparências. “Vivemos num mundo de aparências, hoje mais do que nunca”, afirmou, acrescentando que muitas vezes as pessoas se deixam guiar apenas pelo que é visível.

“Nós, seres humanos, vemos as aparências, mas de uma forma muito particular no mundo de hoje”, disse ainda, referindo que em muitas áreas da sociedade — “desde as influências até à política” — prevalece aquilo que é mostrado exteriormente. “Muitas vezes tudo é apenas cenário”, observou.

Segundo D. Nuno Brás, esta tendência leva as pessoas a julgar e a relacionar-se umas com as outras apenas pelo que aparece à primeira vista. “Temos a tentação de fazer cenário, de mostrar e de julgar os outros por aquilo que aparece”, afirmou.

Em contraste, recordou que Deus olha de maneira diferente: “Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, mas Deus vê o coração”. Por isso, explicou, Deus não se fixa na aparência, mas nas ações e na verdade de cada pessoa.

O bispo convidou os presentes a procurar ir além do superficial e a descobrir o essencial. Para isso, recordou também o Evangelho da cura do cego, sublinhando que a realidade precisa de ser vista à luz de Cristo. “A realidade verdadeira é aquela que nós vemos à luz de Jesus”, afirmou.

Explicando esta ideia, acrescentou que a forma como cada pessoa vê o mundo depende da “luz” com que observa a realidade. “Se virmos com uma luz verde, tudo parece verde; se virmos com uma luz vermelha, tudo ganha tons vermelhos”, exemplificou, concluindo que é a luz de Jesus que permite ver a verdade das coisas.

“Precisamos da luz de Jesus para abrir os olhos e para nos darmos conta da verdadeira realidade”, disse ainda.

Durante a homilia, o prelado destacou também o valor único de cada pessoa. “Passa uma pessoa e podemos pensar: ‘coitado, não vale nada’”, exemplificou. Contudo, lembrou que essa mesma pessoa pode ter um valor enorme para a sua família e, sobretudo, para Deus. “Cada pessoa tem um valor que muitas vezes nós não vemos, mas que Deus conhece”.

Por isso, afirmou que não basta apenas ver com os olhos físicos ou com o pensamento. “Não nos basta ter os olhos da cara abertos. Precisamos de ter abertos os olhos do coração, os olhos da fé”, sublinhou.

Concluindo a reflexão, D. Nuno Brás apelou a que todos procurem olhar para a vida com o olhar de Deus: “Deixemos que Jesus nos abra os olhos — os olhos do coração e os olhos da fé”. O bispo convidou ainda os fiéis a “ir para além das aparências e daquilo que simplesmente nos parece”.

A celebração terminou com um momento de silêncio e oração, durante o qual os participantes foram convidados a pedir a Deus essa graça: “Que Ele nos abra os olhos da fé, para vermos com os seus olhos”.

De referir que as Guias pertencem ao movimento escutista feminino, inspirado nos valores do escutismo fundado por Robert Baden-Powell. Em Portugal, o movimento procura promover a formação integral das jovens através de atividades educativas, espirituais e de serviço à comunidade, ajudando-as a desenvolver valores como responsabilidade, solidariedade, liderança e fé.

O Conselho Nacional da Associação Guias de Portugal, órgão máximo de deliberação e fiscalização da vida associativa, constitui um momento privilegiado de encontro, reflexão e decisão, reunindo ordinariamente uma vez por ano associadas de Portugal Continental, da Região Autónoma da Madeira e da Região Autónoma dos Açores.

Neste encontro participaram Dirigentes e Guias provenientes de 10 distritos do país, que, ao longo do fim de semana, avaliaram o caminho percorrido, partilharam experiências e contribuíram para a definição de orientações para o futuro do movimento.

Para além dos trabalhos deliberativos, o programa integrou também momentos de convívio e partilha cultural, bem como a celebração da missa, sublinhando a dimensão de reflexão, agradecimento e sentido comunitário que acompanha todo o trabalho desenvolvido durante o Conselho Nacional.