Bispo convida a “passar das aparências para a verdade” nos 75 anos das Irmãs Paulinas em Portugal

Foto: Duarte Gomes

“O homem olha as aparências, mas o Senhor vê o coração”. A partir desta ideia central da liturgia, o bispo do Funchal, D. Nuno Brás, convidou os fiéis a olhar a realidade com os olhos da fé durante a celebração dos 75 anos da presença das Filhas de São Paulo em Portugal, que teve lugar no dia 15 de março, na Sé do Funchal.

Na homilia, o prelado destacou que a Palavra de Deus recorda aos cristãos que o olhar humano é muitas vezes limitado pelas aparências, enquanto Deus conhece o coração de cada pessoa.

“Deus dizia ao profeta Samuel que julgava ter diante de si o escolhido por causa do seu bom aspeto e da sua aparência. Mas Deus diz: ‘Não te impressiones com o seu belo aspeto nem com a sua elevada estatura, pois não foi esse que eu escolhi’”. Segundo D. Nuno Brás, esta passagem bíblica é particularmente atual num mundo marcado pela imagem e pela superficialidade.

Se olharmos à nossa volta, vincou, “nós vivemos num mundo de aparências. Desde a internet, que é verdadeiramente o mundo das aparências, o mundo daquilo que aparece aos olhos, mas que nem sequer tem pretensões de verdade.”

O bispo sublinhou que também nas relações humanas existe frequentemente a tentação de julgar os outros apenas pelo que se vê. Contudo, explicou, Deus convida o ser humano a descobrir uma outra forma de olhar a realidade.

“Há um outro modo de ver, um outro modo verdadeiro: o modo como Deus nos olha. Deus vê o nosso coração, Deus vê o segredo daquilo que somos” disse, a propósito, o prelado.

Recordando o episódio evangélico da cura do cego de nascença, o bispo afirmou que Jesus não oferece apenas a visão física, mas conduz à fé. Isto é, “aquilo que Jesus faz não é simplesmente abrir-lhe os olhos, é abrir o coração. De tal forma que o homem pode dizer: ‘Eu creio’.”

Para D. Nuno Brás, é precisamente quando o cristão professa a fé que deixa de viver apenas de aparências e passa a viver na verdade. Dito de outra forma, “quando somos capazes de dizer ‘eu creio em Ti, Senhor’, então passamos das aparências para a realidade.”

Neste contexto, o prelado recordou que a fé e o batismo ajudam os cristãos a transformar o modo de ver e de viver: “O batismo e a fé ajudam-nos a caminhar das aparências para a verdade, das aparências para a realidade.”

A concluir, convidou os fiéis a viver este caminho de conversão especialmente no tempo da Quaresma e a pedir ao Senhor “a graça de que Ele nos ajude sempre a caminhar das aparências para a verdade e que nos ajude também a ajudar outros a viver assim.”

O bispo citou ainda as palavras de São Paulo como apelo à vida cristã: “Outrora éreis trevas, agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz.”

Memória e gratidão pela missão na Madeira

No início da celebração, a delegada do Instituto Missionário das Filhas de São Paulo em Portugal, Irmã Antonieta Bruscato, recordou com alegria os 75 anos da presença da congregação no país e os 54 anos da presença da Livraria Paulinas na Madeira.

A religiosa evocou o trabalho das irmãs que, ao longo das décadas, percorreram a ilha para difundir o Evangelho.

“Elas percorreram estradas, subiram ladeiras, visitaram famílias, centros comerciais e educativos para levar a Palavra de Deus através do livro, do CD, das Semanas Bíblicas, dos programas de rádio ou simplesmente através da presença de um sorriso e de uma palavra amiga.”

Apesar de atualmente já não existir comunidade das irmãs na Madeira, a missão continua através da Livraria Paulinas, graças ao trabalho das colaboradoras Fátima, Helena e Ivone, que asseguram a continuidade da presença paulina na ilha.

A irmã Antonieta agradeceu também o apoio da diocese, dos sacerdotes, colaboradores e benfeitores que ao longo dos anos contribuíram para a missão evangelizadora.

Após a Eucaristia, os participantes reuniram-se junto à sacristia da catedral, onde foram cantados os parabéns e partilhado o bolo comemorativo deste aniversário, num momento de convívio e gratidão pelas “maravilhas que Deus realizou na ilha através da missão paulina”.

A celebração ficou marcada pelo convite a renovar a fé e a fidelidade a Cristo, proclamando, como sublinhou a irmã Antonieta, que “Cristo ressuscitou e está vivo em nós e no meio de nós.”