Necessitamos de Deus

D.R.

O orgulho humano tem crescido a olhos vistos. Até achamos que não precisamos de pensar. Acabaram os filósofos, derrotados pela conclusão de que só sabemos que nada sabemos; acabaram os pensadores, mais preocupados em inventar ideias originais que em procurar a verdade. Tudo parece resumido à engenharia, à técnica, ao “saber fazer” e ao “saber usar”. Parece que dominamos o universo, donos e senhores do que nos rodeia e, sobretudo, do nosso destino.

No entanto, (lembram-se?) bastou, anos atrás, um vírus invisível para originar um confinamento impensável, uma paragem de todos, refugiados em casa, sem podermos abraçar os familiares, sem podermos conviver com os amigos. E os temporais deste ano no Continente, com a sua onda de destruição, continuaram a demonstrar que não conseguimos dominar os fenómenos naturais.

E, para além disso, a guerra. A da Ucrânia, que parece interminável, e a do Médio Oriente, agora recrudescida, como tanta violência e com tantas consequências na vida de todos. Sim: a guerra mostra que não nos conseguimos dominar a nós mesmos; que, apesar de clamarmos paz e tranquilidade, aquilo que fazemos com mais facilidade é a guerra. Destruímo-nos uns aos outros.

Necessitamos de Deus. E necessitamos de tomar consciência dessa necessidade. Necessitamos de um Deus que partilhe o nosso sofrimento — aquele causado pelos fenómenos naturais e aquele que nos causamos uns aos outros — de um Deus que nos aponte uma luz ao fundo do túnel; que caminhe connosco e que nos permita caminhar com Ele; um Deus que nos dê razões para acreditar que existe um sentido para todo o nosso viver, para todo o nosso sofrer e até para a morte. Necessitamos de um Deus que nos salve. E necessitamos de estar com Ele, e de o tomar cada vez mais a sério.