Assembleia do RCC: “A fé é partir e deixar as nossas seguranças para seguir Deus”, diz o bispo do Funchal

D.R.

A XVI Assembleia do Renovamento Carismático (RCC) reuniu no domingo, 1 de março, cerca de 350 participantes no Colégio Santa Teresinha, sob o lema “É o Senhor”

A encerrar o evento celebrou-se uma Eucaristia presidida pelo bispo do Funchal, D. Nuno Brás, que na homilia desafiou os fiéis a viverem a fé como um caminho de confiança em Deus e de constante conversão.

Partindo da figura de Abraão, apresentado por São Paulo Apóstolo como “pai da fé”, o prelado recordou que a história da fé cristã começa precisamente com o convite de Deus a abandonar seguranças e a confiar na sua palavra.

“Abraão é o nosso pai da fé”, afirmou o bispo diocesano, explicando que a fé nasce do encontro com Deus que chama cada pessoa a sair de si mesma. Recordando a passagem bíblica proclamada na liturgia, acrescentou: “Deus diz a Abraão: ‘deixa a tua terra, a tua família e a casa do teu pai e parte para a terra que Eu te indicar’”.

O prelado sublinhou que Abraão possuía todas as seguranças humanas — riqueza, família e bens —, mas foi convidado a confiar apenas na promessa divina. “A única segurança que Abraão tem é esta: ‘Eu estou contigo’”, afirmou D. Nuno Brás, acrescentando que “o Deus verdadeiro não está preso a um lugar; Ele caminha connosco e nunca nos abandona”.

Segundo o bispo do Funchal, esta atitude define também a fé cristã de hoje. “A fé é esta atitude de partirmos, de deixarmos as nossas seguranças e permitirmos que Deus nos indique o caminho”, afirmou o prelado, acrescentando: “Deus chama-nos a caminhar com Ele para que a nossa vida se torne uma bênção para os outros”.

Na reflexão sobre o Evangelho da Transfiguração, o bispo destacou a experiência vivida pelos discípulos de Jesus Cristo, que testemunharam a sua glória no monte.

Contudo, recordou, essa experiência não eliminou a fragilidade dos apóstolos. “Mesmo depois de tudo, os discípulos foram fracos e fugiram”, disse D. Nuno Brás, acrescentando que essa realidade também marca a vida cristã. Ainda assim, sublinhou a força do testemunho apostólico: “São Pedro dirá mais tarde: ‘nós não andamos atrás de fábulas; eu vi a glória de Jesus Cristo’”.

Dirigindo-se aos participantes da assembleia, o bispo lançou um desafio concreto: “Estamos disponíveis para Jesus nos fazer sair das nossas seguranças? Estamos disponíveis para deixar aquilo que achamos certo e permitir que Deus nos conduza?”.

Na homilia, o prelado explicou ainda que a vida cristã é um caminho permanente de conversão. “A vida do cristão é a vida do peregrino”, afirmou o bispo diocesano, acrescentando que é “uma vida que está constantemente a deixar o pecado para se aproximar da liberdade que Deus oferece”.

Por isso, sublinhou, a Igreja não é uma comunidade de pessoas perfeitas. “Nós não somos um clube de gente bem-comportada”, disse D. Nuno Brás, acrescentando: “Somos um grupo de pecadores, claro que sim, mas pecadores que o Senhor convida à conversão e à transformação do coração”.

Recorrendo a uma imagem simples, o prelado explicou que a transformação cristã acontece pouco a pouco. “O Espírito Santo vai alargando o nosso coração todos os dias, um bocadinho de cada vez, até que Jesus Cristo possa habitar plenamente em nós”, afirmou.

Referindo-se ao tempo litúrgico em curso, o bispo lembrou que a Quaresma é um momento privilegiado para essa mudança interior. “A Quaresma é um tempo de treino, um tempo de ascese, para nos deixarmos habitar mais profundamente pelo Espírito Santo”, explicou.

Concluindo a homilia, D. Nuno Brás convidou os fiéis a acolher a ação de Deus na própria vida. “Peçamos ao Senhor a graça de deixar que o nosso coração se alargue à medida de Jesus Cristo e que Ele nos transfigure a cada um de nós”, disse.

A XVI Assembleia do Renovamento Carismático terminou assim com um convite à confiança em Deus e à renovação espiritual, reunindo centenas de fiéis num momento de oração, formação e celebração.