No sábado passado, 20 de fevereiro, foi concluída a torre central da basílica da Sagrada Família em Barcelona, chamada de torre de Jesus Cristo. Ao atingir os 172,5 metros tornou-se na igreja mais alta do mundo. A conclusão desta torre coincide com a celebração do centenário de falecimento do seu arquiteto, António Gaudí (1852-1926). Para o atual responsável, Jordi Faulí, esta etapa é o “resultado de anos de trabalho e estudo do legado de António Gaudí” e também um compromisso com o futuro de trabalhar pela conclusão da basílica.
Gaudí tomou este projeto em mãos em 1883 e até ao fim da vida, ao longo de 43 anos, nele trabalhou com total dedicação. Conta-se que ao receber grupos de visitantes, numa basílica cheia de andaimes e ainda a céu aberto, falava como se já estivesse terminada e relatava as celebrações litúrgicas: a procissão de entrada entre nuvens de incenso, os cânticos participados pela assembleia ao som do órgão, os sinos que invadiam a cidade com a sua sonoridade. Nada disso existia, tudo precisada de ser construído, mas os visitantes ficavam encantados pela fé e esperança do arquiteto.
Um dos professores da Escola Superior de Arquitetura de Barcelona, no dia da graduação de Gaudí, em 1878, disse: “Hoje damos o título a um louco ou a um génio”.
Visitei a basílica da Sagrada Família poucos anos depois da sua dedicação pelo Papa Bento XVI em 2010. Não há palavras para descrever a grandiosa beleza que nos circunda dentro daquele templo, onde reina a paz, o silêncio e a luz.
No ano passado, o Papa Francisco aprovou o decreto de reconhecimento das virtudes heroicas de António Gaudí, abrindo caminho para a sua beatificação e reconhecendo que o arquiteto “fez da arte um hino de louvor ao Senhor a quem oferecia os frutos do seu trabalho, que considerava uma missão de dar a conhecer e aproximar os homens de Deus”.
No processo canónico, entre outros episódios que destacam as suas virtudes, foi recordado um momento de grande dificuldade económica durante a construção (1914-1915). “Gaudí converteu-se em mendigo, um mendigo que ia por Barcelona pedindo dinheiro para as obras da basílica” (Asociacíon canónica Antoni Gaudí, Barcelona, 2024). Mais tarde, Gaudí reconheceu que essa coleta lhe custou muito e exigiu muita humildade.
Nestes dias, o Vaticano anunciou que o Papa Leão XIV irá visitar a basílica em junho deste ano, para participar nas celebrações do centenário da morte de Gaudí.
























