Somos frágeis. Mas o amor de Deus é seguro

D.R.

Nestes dias em que o sofrimento e as dificuldades bateram à porta de muitos portugueses por causa de intempéries naturais, têm vindo à minha memória as palavras de São Paulo: “Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, ou a espada? Mas em tudo isto somos mais que vencedores, graçasÀquele que nos amou” (Rom 8,35.37). 

O Apóstolo não falava de cor. Antes olhava para a sua vida desde o momento em que tinha encontrado Jesus no Caminho de Damasco até àquele momento em que escrevia aos cristãos de Roma — vida feita de sofrimento e de perseguições — e reconhecia que nada nem ninguém, nenhum acontecimento, por mais grave que fosse, o poderiam separar daquilo que constituía a realidade mais segura da sua existência: o amor de Deus. Foi essa certeza inabalável que lhe deu a possibilidade de viver e de vencer tantas situações adversas.

Nós que, neste século XXI achamos que dominamos todas as realidades, que pensamos que “querer é poder”, que a nossa técnica e a ciência poderão resolver todos os problemas, ficamos escandalizados quando percebemos a nossa fragilidade. Afinal, não somos assim tão indestrutíveis. E não basta querer, nem basta ter planos bem pensados de proteção civil e pô-los em ação quando chegar o momento. Não dominamos tudo. Nem tudo corre como desejamos. Somos frágeis. 

Podemos deixar que o medo nos assalte e ficarmos paralisados diante da surpresa do mal, ou podemos viver na certeza de um amor indestrutível de Deus por cada um de nós e por todos. Ainda que rodeados pela morte e pela destruição, uma certeza inabalável nos faz caminhar: em cada momento, sou amado por Deus. E isso só depende de Deus, não há força nem poder que o possa derrotar, nem sequer a minha liberdade.