Foi com uma Eucaristia, celebrada no passado domingo, 1 de fevereiro, na Paróquia de São Francisco Xavier, quefoi apresentada e empossada a nova direção da Confraria do Santíssimo Sacramento.
A celebração foi presidida por D. Nuno Brás, que, na homilia, refletiu longamente sobre o verdadeiro significado da felicidade à luz das bem-aventuranças evangélicas.
No início da Missa, o bispo começou por sublinhar o sentido profundo do louvor a Deus, recordando as palavras do cântico inicial: “Aqui para celebrar os louvores do Senhor”. A este propósito afirmou:“Quer dizer, para louvar, louvar a Deus. Essa é também a nossa função como seres humanos. Tudo aquilo que fazemos de bom, tudo aquilo que somos de bom, é para mostrar como Deus é bom.”
D. Nuno Brás explicou que louvar a Deus não é algo abstrato, mas profundamente concreto:“Mostrar como Ele é bom, mostrar com o seu amor, que não é imaginação, mas é uma realidade, porque nós o vivemos e porque o percebemos na nossa vida.”
Na homilia, o prelado fez uma leitura crítica da sociedade atual, referindo-se às falsas promessas de felicidade difundidas pela publicidade:“Quando nós abrimos a televisão, aparecem logo umas ‘bem-aventuranças’, não é? A publicidade diz que nós podemos ser felizes, mas com uma condição: se comprarmos o sabonete, se comprarmos o carro, se comprarmos o produto qualquer.”
Segundo o bispo, esta lógica conduz a uma ilusão:“No final de contas, é uma bem-aventurança falsa. Andamos sempre à procura da felicidade onde ela não se encontra.”
A partir das leituras proclamadas, D. Nuno Brás lançou uma pergunta provocadora à assembleia: “E Jesus? Jesus era feliz? Podemos dizer que Jesus era feliz?”E respondeu de forma clara, dizendo que “Jesus não tinha eletrodomésticos, nunca fez uma viagem de turismo às Bahamas, nunca usou perfume… mas Jesus era feliz. Era o mais feliz de todos os seres humanos.”
Para o bispo, a razão dessa felicidade estava no cumprimento pleno da missão recebida do Pai. A missão que também é dada a cada um de nós e cujo cumprimento nos faz plenamente felizes.
Além disso, sublinhou que Jesus possuía o essencial:“Tinha consigo aquele que é a grande felicidade do mundo, que é o próprio Deus. E vivia com o Pai.”
D. Nuno Brás partilhou ainda o testemunho de uma visita pastoral realizada quando já era bispo, a uma mulher gravemente doente, que cuidava do marido acamado há vários anos. Contra todas as expectativas, a mulher afirmou-lhe:“Senhor bispo, eu sou muito feliz. Sou muito feliz porque tenho o Nosso Senhor sempre comigo e porque tenho amigos que me ajudam.”
Este encontro ajudou-o a compreender melhor as bem-aventuranças:“Felizes os pobres em espírito. Pobres são aqueles que percebem que tudo depende de Deus. Não temos aviões, não temos carros, mas temos Deus e vivemos com Ele.”
Referindo-se à realidade madeirense, o bispo evocou as gerações passadas para referir que “há cem anos atrás, apesar da pobreza e das dificuldades, muitos eram felizes. Porque tinham descoberto que a felicidade não depende daquilo que se tem, nem do poder, nem da fama, mas daquilo que somos e daquilo que somos com Deus.”
Concluindo a homilia, D. Nuno Brás reforçou que “esta é a proposta de Jesus: percebermos que a felicidade não se encontra no que temos, mas na vida com Deus. Essa é uma felicidade que não passa, é uma felicidade para sempre.”
Antes do final da celebração, usou da palavra o pároco, padre Silvano Gonçalves, que agradeceu o trabalho desenvolvido pela Confraria do Santíssimo Sacramento e destacou a sua missão fundamental.
“A principal missão da Confraria do Santíssimo Sacramento é garantir que nesta comunidade paroquial nunca falte a Eucaristia. Jamais seríamos comunidade se não tivéssemos entre nós o Santíssimo Sacramento”, disse a propósito o sacerdote.
O pároco procedeu à leitura da ata da Assembleia Geral realizada a 28 de setembro de 2025, na qual foi eleita a nova direção da confraria, bem como do decreto de nomeação para o triénio 2025–2028. Seguidamente, os novos membros foram chamados ao altar para assinar o termo de nomeação.
Em nome da nova direção, o presidente manifestou o compromisso assumido:“Esta confraria compromete-se a trabalhar em prol da paróquia e a dar realmente o nosso melhor.”
Manuel Freitas agradeceu ainda o apoio da comunidade e das entidades colaborantes, convidando todos os presentes para um convívio no final da celebração.


































