Roma: Colégio Português celebra 50 anos da presença das Irmãs Vitorianas

Foto: Pontifício Colégio Português

O Pontifício Colégio Português em Roma assinalou neste domingo, 1 de fevereiro, o cinquentenário da presença das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias na vida da instituição, numa celebração marcada pela gratidão e pelo reconhecimento de um serviço vivido “no silêncio, na perseverança e na alegria franciscana”. Atualmente composta por quatro religiosas, a comunidade foi homenageada pelo contributo quotidiano que se tornou parte integrante da identidade espiritual da casa.

A Eucaristia jubilar foi presidida pelo cardeal Angelo De Donatis e concelebrada por todos os sacerdotes da comunidade do Colégio. A celebração evocou o carisma deixado à Igreja pela fundadora, a Venerável Mary Jane Wilson, entendido como uma espiritualidade “tecida de gestos simples, de fidelidade quotidiana e de uma caridade concreta”.

No discurso de agradecimento, o reitor, padre Estevão Fernandes, afirmou que “cinquenta anos não são apenas uma medida do tempo”, mas sobretudo “uma história tecida de dedicação quotidiana, de trabalho silencioso, de oração escondida, de atenção concreta às pessoas”. Para o sacerdote, trata-se de “dias comuns vividos com amor extraordinário” e de “uma presença discreta que sustentou a vida de todos os que habitam e habitaram esta casa”.

Alargando o olhar a todo o percurso vivido, o reitor fez questão de frisar: “Neste agradecimento queremos abraçar não só vós que hoje aqui estais presentes, mas também as dezenas de irmãs que, ao longo destes cinquenta anos, serviram neste Colégio”. Cada uma, disse, “deu algo de si, segundo o carisma da Venerável Mary Jane Wilson: tempo, energias, sorriso, sacrifício, oração”. E acrescentou: “A todas elas — também às que o Senhor já chamou para junto de Si — vai hoje o nosso pensamento agradecido”.

Ao recordar a fundadora, padre Estevão evocou o momento em que Mary Jane Wilson chegou à Madeira e se deixou tocar pelo contraste entre “a beleza das flores” e “a pobreza presente sob tantas formas: material, educativa, espiritual, relacional”. Esse encontro, afirmou, “abriu o seu coração a uma compaixão concreta, capaz de se transformar em serviço”, dando origem a “uma caridade encarnada, feita de gestos quotidianos, de proximidade real, de cuidado por cada pessoa, sobretudo por quem era mais frágil”.

Essa caridade, sublinhou, “estendia-se a todos, incluindo os sacerdotes”, acompanhados “com respeito, discrição e oração”, numa partilha “das suas fadigas” e numa oferta que não era apenas funcional, mas profundamente relacional: “uma presença materna enraizada no amor de Cristo”. Recordou ainda que a fundadora concluiu o seu percurso terreno precisamente quando assumira a responsabilidade de reiniciar o seminário menor diocesano, “como se o Senhor tivesse querido sigilar a sua vida no dom oferecido aos futuros sacerdotes”.

Foto: Pontifício Colégio Português

Referindo-se à missão atual das religiosas em Roma, o reitor afirmou que o carisma das Franciscanas se revela como “um fio condutor da Providência de Deus”, que “atravessa gerações, acompanha vocações, une histórias diferentes no mesmo desígnio de amor”. Trata-se, disse, de “uma semente confiada à terra que, no tempo de Deus, cria raízes longe e floresce em terras novas”, realizando o desejo da fundadora de levar o Evangelho “até aos confins do mundo”.

No centro do discurso esteve a Eucaristia. “É do encontro com o Senhor sacramentalmente presente que nasce o seu coração materno para com os sacerdotes”. Uma maternidade que descreveu como “profundamente eucarística: gerada no altar, alimentada pela adoração, traduzida em intercessão silenciosa e em cuidado perseverante”. E acrescentou: “É esta mesma maternidade espiritual que hoje continua viva em vós”.

“Nós experimentamo-la verdadeiramente”, afirmou ainda o reitor. “É uma presença viva, feita de atenção quotidiana, de escuta discreta, de oração fiel.” Por isso, disse, “sentimos que o nosso caminho sacerdotal é acompanhado com coração de mãe e espírito franciscano”.

Padre Estevão retomou também palavras do Papa Leão XIV, dirigidas às religiosas, nas quais o Papa agradeceu “a dedicação aos sacerdotes, a oração elevada ao Céu por eles e a atitude materna”, sublinhando que esta proximidade “embora discreta, não está escondida de Deus”. Segundo o reitor, estas palavras “ressoam para nós de modo particularmente verdadeiro”.

“O vosso serviço não cuida apenas de um espaço”, insistiu, “mas sobretudo do clima humano e espiritual da comunidade”. Um cuidado que, frisou, “não fica encerrado entre estas paredes”, porque “aquilo que um sacerdote vive durante os anos de formação aqui em Roma deixa uma marca profunda no seu ministério”.

Foto: Pontifício Colégio Português

“Levaremos tudo isto connosco”, afirmou, “para as paróquias, para as missões, para os serviços que nos forem confiados”. E concretizou: “Levaremos o sinal da vossa maternidade, que nos ajuda a permanecer homens de comunhão e sacerdotes enraizados na Eucaristia, com um coração mais humano e evangélico”.

A celebração incluiu dois gestos simbólicos: a oferta de uma flor a cada irmã e a entrega de um ícone de Nossa Senhora, Doce Mãe. “Com estes sinais queremos dizer-vos obrigado pela vossa maternidade espiritual”, explicou o reitor, descrevendo-a como “uma maternidade que acolhe, consola, sustenta; que nasce da Eucaristia e se traduz em cuidado quotidiano”.

O jubileu terminou com um almoço festivo. No final, padre Estevão Fernandes sintetizou o espírito da celebração: “Confiamos ao Senhor o passado, o presente e o futuro”. E concluiu: “Queridas irmãs, continuai a ser entre nós um sinal simples e luminoso do Evangelho. Garantimos-vos a nossa gratidão, o nosso afeto e a nossa oração. Obrigado, verdadeiramente, de coração”.

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