Neste mundo de riqueza e de opulência como jamais se viu — mundo de aparências e, contraditoriamente, também de tantas misérias materiais e espirituais — é cada vez mais escandaloso escutar as bem-aventuranças. Afinal, aquilo que nos vendem é que os ricos são felizes, bem como os poderosos e os famosos. Parece que dizer que os pobres são felizes cheira a conformismo, a um derrotismo que impede o progresso…
No entanto, Jesus continua a dizer: “felizes vós os pobres”! E refere-se a uma felicidade que não é apenas para um futuro (“haveis de ser felizes”). Não se trata de pensar simplesmente: “vale a pena sofrer agora para depois ser feliz”. Não: aquilo de que Jesus fala é de uma verdadeira felicidade a ser vivida já, no meio da pobreza, do choro, da fome e da sede, ainda que seja uma felicidade garantida pelo Reino dos Céus e vivida nele de um modo pleno!
Descobrir a felicidade no meio do sofrimento e das dificuldades e com os olhos no Reino dos Céus: eis o que nos é difícil pensar e, muito mais, viver. Contudo, devemos perguntar-nos: mas Jesus era feliz? Sim: Jesus, pobre, era feliz? E Jesus com fome e sede de justiça, era feliz? E Jesus que chora, era feliz?…
Claro que era. Plenamente feliz, não por masoquismo, por ser fácil ser pobre, ou ter fome, ou chorar, mas porque a felicidade não se mede por meio dessa “medida” tão nossa que é o “Eu” egoísta e soberbo, com tudo o que lhe está associado. Há, de facto, uma outra e verdadeira felicidade, mais perene (mesmo eterna), que tem a ver com o que somos e com o modo como vivemos com Deus e com os outros.
É por isso que S. Paulo não hesita em dizer aos cristãos de Corinto (Cf. 1Cor 1,26-31): o mundo olha para vocês e acha-vos loucos, ignorantes, fracos. Mas Deus escolheu aquilo que é fraco para confundir os que pensam ser fortes. Olhem antes para Jesus: Ele é a sabedoria, justiça, santidade e redenção. É nele que podeis encontrar a bem-aventurança e o seu verdadeiro significado!























