O segundo dia das Jornadas de Atualização do Clero, que estão a decorrer no Seminário Diocesano do Funchal, teve início com a conferência do padre Tiago Freitas, dedicada ao tema “Renovação da Paróquia”, na qual refletiu sobre os desafios atuais das comunidades cristãs.
Partindo da categoria antropológica dos “não-lugares”, o sacerdote alertou para o risco de a paróquia se tornar um simples espaço de passagem, marcado pelo anonimato, pela fragilidade das relações e pela perda de sentido de pertença. Sublinhou que esta crise não se explica apenas por fatores doutrinais ou organizativos, mas pela diluição da memória comunitária e pela diminuição da força simbólica da vida sacramental.
O padre Tiago Freitas advertiu ainda para uma pastoral excessivamente “utópica”, centrada em ideias e modelos distantes da realidade concreta das pessoas, bem como para o impacto do excesso de tempo, de espaço e de estímulos, que gera dispersão e dificulta processos de interiorização e acompanhamento. Neste contexto cultural, marcado pelo individualismo, destacou a passagem da religião à espiritualidade e a necessidade de uma transição do dogma à pastoral.
Na sua análise, identificou três sinais de quando a paróquia se aproxima da lógica do “não-lugar”: a transitoriedade e o anonimato; a homogeneidade e a padronização pastoral; e a desconexão e a solidão, agravadas pelo uso intensivo das tecnologias digitais. Referiu também o fenómeno das memórias diluídas, que fragiliza a identidade e o sentido comunitário.
Em contraponto, apresentou exemplos de “lugares eclesiais” que podem regenerar a vida paroquial, lugares de história, de sacralidade, de silêncio, de beleza e de cura.


























