Jornadas do Clero: Padre Marcos Pinto desafia paróquias a estruturar a ação social e caritativa

Foto: G.A.

O terceiro dia das Jornadas de Atualização do Clero iniciou-se com a conferência do padre Marcos Pinto, diretor da Pastoral Social da Diocese, subordinada ao tema “Dinamizar a ação social e caritativa na paróquia”. A intervenção colocou no centro da reflexão a identidade da pastoral social da Igreja, os seus fundamentos evangélicos e os desafios concretos que hoje se colocam às comunidades cristãs.

Partindo da Palavra de Deus, o sacerdote recordou a passagem do Evangelho: “sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes” (Mt 25,40), sublinhando que a pastoral social paroquial não pode ser entendida como uma atividade marginal ou opcional. Trata-se, afirmou, de uma dimensão constitutiva da vida cristã e da missão evangelizadora da comunidade.

Na sua reflexão, o padre Marcos Pinto alertou para a necessidade de superar uma visão redutora da caridade, afirmando que “a ação social paroquial não se reduz à caridade espontânea, mas exige compromisso organizado e contínuo da comunidade, buscando respostas reais às necessidades das pessoas”. Nesse sentido, advertiu para os riscos do assistencialismo, apontando como horizonte uma ação social que respeite plenamente a dignidade humana e promova processos reais de humanização e transformação das pessoas e das comunidades.

O diretor da Pastoral Social da Diocese sublinhou ainda que esta dimensão da vida eclesial é uma responsabilidade própria da comunidade cristã e “não pode ser alienada”. Todos os batizados são chamados a assumir este serviço, segundo os seus dons e competências, num caminho de corresponsabilidade e comunhão. Os grupos paroquiais vocacionados para a ação social devem, por isso, assumir-se como prioridade, garantindo a entreajuda de proximidade “a exemplo do bom samaritano” e articulando-se entre si para evitar a duplicação de respostas.

A intervenção abordou também a relação entre a paróquia e as Instituições Particulares de Solidariedade Social, nomeadamente os Centros Sociais Paroquiais. Estas estruturas, afirmou, contribuem de forma decisiva para a credibilização da ação social da Igreja e para a presença pública dos seus valores.

Outro aspeto central da reflexão foi a importância da presença de leigos profissionais na intervenção social. O padre Marcos Pinto defendeu que “o diálogo, parcerias e até mesmo uniões de estruturas da pastoral” permitem uma ação mais eficiente, capaz de chegar a mais pessoas e com maior qualidade, promovendo uma complementaridade fraterna ao serviço do bem comum.

A concluir, o padre Marcos Pinto reafirmou que a pastoral social deve ajudar a Igreja a assumir-se como verdadeira “perita em humanidade”, tornando visível o Evangelho e construindo, na caridade organizada e responsável, caminhos concretos de justiça, dignidade e esperança no coração das comunidades paroquiais.