As Jornadas de Atualização do Clero, que decorrem sob o tema “Paróquia, Renovação e Missão”, incluíram na quarta-feira, 21 de janeiro, no Seminário Diocesano do Funchal, a conferência “Liturgia: da celebração à vida”, proferida pelo padre Rui Silva, sacerdote do Patriarcado de Lisboa.
Na conferência, o sacerdote sublinhou a centralidade da liturgia na vida da Igreja, recordando o Concílio Vaticano II: “a Liturgia é simultaneamente a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força”. A partir desta convicção, afirmou: “Sem Eucaristia não há cristianismo; sem Liturgia não há vida cristã”, destacando a celebração eucarística como o coração da existência cristã e o ponto de partida para a missão da Igreja no mundo.
Ao refletir sobre o modo como a liturgia é celebrada, o conferencista reconheceu os desafios concretos do ministério presbiteral, alertando para o risco do padre se tornar um “funcionário do religioso”. Nesse contexto citou o Papa Francisco que dizia: “a arte de celebrar não se pode improvisar”, acrescentando que a liturgia “não diz ‘eu’, mas ‘nós’”, sendo sempre ação da Igreja no seu conjunto.
Abordando a relação entre liturgia e vida, o padre Rui Silva apresentou três critérios fundamentais: autenticidade, comunhão e missão. No que respeita ao critério da autenticidade, sublinhou que “não há lugar na Liturgia para meras aparências, tudo deve ser verdadeiro, real e autêntico”, pois é Cristo quem age e se torna realmente presente nos sacramentos.
Quanto ao critério da comunhão, destacou que a liturgia deve fortalecer o sentido de corpo eclesial, não apenas ao nível paroquial, mas também diocesano e universal, recordando que a oração da Igreja rompe fronteiras e torna os fiéis solidários com “todos os que sofrem”. Já relativamente ao critério da missão, afirmou que “não há celebração litúrgica autêntica que feche os cristãos em si mesmos”, uma vez que a participação profunda na liturgia gera necessariamente ardor missionário e compromisso com o mundo.
Na parte final da conferência, o sacerdote refletiu sobre que tipo de liturgia melhor serve a passagem da celebração à vida, defendendo uma Liturgia fiel à tradição e livre de protagonismos pessoais, que preserve o sentido do sagrado e não se confunda com entretenimento, capaz de escutar a vida das pessoas e de iluminar as suas alegrias e sofrimentos.


























