A Dr.ª Dora Isabel Rosa, licenciada em Sociologia, locutora e produtora em diversas rádios, diretora do Gabinete de imprensa da Opus Dei e mãe de dois sacerdotes do Patriarcado de Lisboa, é a terceira oradora das Jornadas do Clero e dos Leigos e Consagrados que a Diocese do Funchal está a promover atualmente. A sua comunicação vai centrar-se na importância da comunicação na vida das paróquias, com a oradora a sublinhar como esta é decisiva para criar ligação, proximidade e sentido de pertença entre a Igreja e as comunidades. Ao longo da sua reflexão, a oradora aborda os principais desafios comunicacionais vividos nas comunidades paroquiais, a necessidade de escuta e adaptação da linguagem aos diferentes públicos, em especial às novas gerações, bem como as oportunidades que os meios digitais oferecem para a evangelização. A comunicação surge, assim, não apenas como transmissão de informação, mas como um verdadeiro instrumento de comunhão, missão e cuidado pastoral.
Porque é que a comunicação é tão decisiva na vida de uma paróquia?
A comunicação é vital porque está no centro da relação entre a paróquia e a comunidade. Comunicar bem não é apenas transmitir informações, mas criar ligação, proximidade e sentido de pertença. Na paróquia, tudo comunica: desde o acolhimento à porta, até ao tom com que se atende alguém na secretaria. Uma boa comunicação aproxima, une, envolve e evangeliza. Quando se comunica com clareza, empatia e autenticidade, cria-se uma comunidade mais coesa e mais viva.
Que erros de comunicação são mais frequentes nas comunidades paroquiais?
Um dos erros mais comuns é esquecer que comunicar não é só falar, mas também saber ouvir. Falta muitas vezes escuta ativa e um tom próximo e acolhedor. Há frequentemente pouca atenção ao “recetor”. Muitas vezes esquecemo-nos de adaptar a mensagem aos diferentes públicos da paróquia, desde os mais comprometidos até aos mais distantes. Ter noção de que uma comunidade tem pessoas muito diversas. Temos de conhecer bem a realidade que envolve as pessoas da paróquia. E muitas vezes também há ainda muita informação dispersa ou desatualizada, o que gera ruído e desmotivação. É importante manter sempre a informação atualizada e direcionada.
“Comunicar bem não é apenas transmitir informações, mas criar ligação, proximidade e sentido de pertença”.
Como adaptar a linguagem da Igreja às novas gerações sem perder a sua identidade?
Adaptar não é diluir, é tornar compreensível. A chave está em conhecer bem quem está do outro lado, perceber o que toca o coração das novas gerações e usar uma linguagem que fale a essa realidade. Jesus fazia isso — usava parábolas, imagens do quotidiano das pessoas. Hoje, temos de fazer o mesmo: falar de forma clara, simples, emocionalmente envolvente. E sobretudo viver aquilo que comunicamos. A autenticidade é a melhor ponte entre as pessoas. A identidade da Igreja não se perde quando se comunica com empatia; pelo contrário, torna-se mais visível.
De que forma os meios digitais podem ser uma oportunidade para a evangelização?
Há já muita literatura dentro da Igreja que nos chama a atenção para isso. Os meios digitais são hoje lugares reais de encontro. É lá que muitas pessoas vivem, pensam, procuram sentido. Ignorar isso seria fechar uma porta. As redes sociais, os sites paroquiais, os grupos de WhatsApp são oportunidades para informar, envolver e, sobretudo, evangelizar com criatividade. A presença digital da Igreja não é apenas para fazer anúncios, mas para criar relações, contar histórias, propor caminhos. Como diz um documento da Santa Sé, o importante é comunicar a fé «onlife» independentemente de ser online ou offline. Temos de saber integrar o mundo digital como espaço de missão e proximidade.
“Hoje, temos de fazer o mesmo: falar de forma clara, simples, emocionalmente envolvente. E sobretudo viver aquilo que comunicamos”.
Que conselho deixa para melhorar a comunicação interna nas paróquias?
Começar pelo essencial: criar uma cultura de comunicação baseada na confiança e na empatia entre as pessoas que formam as equipas de trabalho nas paróquias, bem como com os paroquianos. Isso passa por ouvir mais, falar com clareza e organizar a informação de forma acessível e consistente. Ter uma pequena equipa dedicada à comunicação nas suas várias vertentes. Pode-se começar até só com voluntários, com tarefas claras e objetivos simples. Isso pode fazer toda a diferença. Depois o ideal é profissionalizar essa área. E não esquecer: comunicar bem é também cuidar da forma como se acolhe, se responde e se escuta no dia a dia. A melhor comunicação é aquela que faz as pessoas sentirem-se parte, da comunidade, da paróquia.



















