Jornadas do Clero: Evangelizar numa sociedade apressada exige acolhimento, proximidade e um coração apaixonado

Foto: G.A.

O segundo momento das Jornadas de Atualização do Clero, realizado na tarde desta terça-feira, 20 de janeiro, foi dedicado ao tema “Paróquia e Evangelização”, através de um painel centrado nos desafios concretos da evangelização no contexto atual. A sessão foi moderada por Graça Alves, diretora do Museu de Arte Sacra do Funchal, e contou com a participação do Padre Silvano Gonçalves, pároco das paróquias da Atouguia, Calheta e São Francisco Xavier, de Tiago Meireles, membro da família “Verbum Dei”, e da Irmã Deolinda Mendonça, Irmã Vitoriana, diretora do Colégio de São João, com experiência pastoral de 12 anos no Porto Santo.

Ao longo do painel, foi sublinhado que evangelizar numa sociedade marcada pela pressa, pela fragmentação do tempo e pela dispersão das pessoas constitui hoje um desafio particularmente exigente para a vida paroquial. Neste contexto, os intervenientes convergiram na importância do acolhimento como atitude fundamental da evangelização, capaz de aproximar quem se sente distante ou à margem da Igreja.

Tiago Meireles destacou que o anúncio do Evangelho nasce sempre da experiência pessoal de encontro com Cristo, afirmando que “a evangelização parte de um coração apaixonado”. Sublinhou que só uma fé vivida com alegria é verdadeiramente contagiante, ajudando as pessoas a passarem de uma presença ocasional para uma participação ativa na vida da comunidade. Nesse sentido, alertou para a necessidade de criar percursos que envolvam, acompanhem e deem tempo aos processos, respeitando os ritmos de cada pessoa.

A Irmã Deolinda Mendonça partilhou a sua experiência no meio educativo, salientando a sede espiritual presente em muitas crianças e jovens, mesmo quando o contexto familiar é pouco praticante. Referiu a importância de proporcionar espaços simples de participação e de envolver as famílias, ajudando a que a fé seja vivida como experiência e não apenas como transmissão de conteúdos, de modo a que as pessoas se sintam parte da comunidade e não meras espetadoras.

O Padre Silvano Gonçalves abordou os efeitos da pandemia na vida paroquial, reconhecendo as dificuldades em retomar laços comunitários. Sublinhou, contudo, a necessidade de uma Igreja próxima e disponível, referindo a importância de manter o telemóvel ligado, de atender as pessoas e de utilizar as redes sociais como instrumentos pastorais para informar sobre as atividades paroquiais.

Outro ponto forte da reflexão foi a necessidade de envolver mais pessoas, dando-lhes verdadeiro campo de missão. Os intervenientes insistiram que a evangelização não se faz apenas com os mesmos de sempre, mas passa por chamar pessoas concretas, reconhecer dons, confiar responsabilidades e ajudar cada um a descobrir o seu lugar na comunidade cristã.