Calheta: Pe. Marcos celebrou Missa Nova lembrando que sacerdotes são “escolhidos desde o seio materno para o amor”

Foto: Duarte Gomes


A expressão “Escolhidos desde o seio materno para o amor”, retirada das palavras proferidas pelo Padre Marcos Rebelo na sua homilia, serviu de fio condutor à Missa Nova celebrada na tarde deste domingo, dia 18, na paróquia da Calheta. Foi a partir desta convicção — de que Deus chama, ama e escolhe cada pessoa desde o início da vida — que o novo sacerdote construiu a sua reflexão e deu testemunho da sua própria vocação sacerdotal.

A paróquia da Calheta viveu, assim, um momento de profunda alegria e ação de graças, com a celebração da Missa Nova do Padre Marcos Rebelo. A Eucaristia reuniu numerosos fiéis, sacerdotes, familiares, amigos, autoridades civis e representantes de diversas instituições do concelho, que quiseram associar-se ao início do ministério sacerdotal do novo presbítero da Diocese do Funchal.

Logo no início da celebração, o neo-sacerdote manifestou o seu agradecimento e confiança em Deus, oferecendo a Missa pelos seus familiares falecidos. “Desde já quero oferecer esta celebração pelos meus familiares falecidos, principalmente pelos meus avós, Amélia, Agostinho e Maria, para que o Senhor os tenha no seu Reino”, afirmou, acrescentando: “Em vida fizeram tanto por mim e pela minha vocação”.

A homilia começou com uma afirmação que marcou toda a celebração: “Ele que nos formou desde o seio materno para fazer de mim o seu ser. Quero começar por aqui esta pequena homilia convosco”. 

Alento para dizer sim

A partir do profeta Isaías, o Padre Marcos recordou que Deus escreve a história da salvação muito antes do tempo presente. “Isaías diz estas palavras profetizando, séculos antes, que o Messias, escrito por Deus, seria aquele que haveria de salvar o povo”, explicou.

Aplicando a Palavra de Deus à vida concreta de cada cristão, sublinhou: “Se olharmos para esta Palavra e a colocarmos na nossa vida, ela faz todo o sentido”. E reforçou: “Deus escolheu-nos e escolheu-te desde o seio materno. No momento da tua conceção, o Senhor colocou em ti o seu desejo de amor”.

Essa certeza, segundo o novo sacerdote, sustenta a caminhada cristã diária. “É isto que nos dá o alento para, a cada dia, dizermos que sim, para abraçarmos a vontade de Deus e a sua misericórdia”, afirmou. “Deus é tão bom que nos deu o seu próprio Filho”.

Ao longo da homilia, o Padre Marcos Rebelo insistiu na fidelidade de Deus, apesar da fragilidade humana. “Podia ter desistido de nós quando o homem pecou pela primeira vez, podia ter desistido quando a perversidade se multiplicou no mundo, podia ter desistido quando a humanidade matou o seu Filho… mas não desistiu”, declarou. “Mesmo quando colocámos Jesus na cruz, Ele não desistiu”.

Essa fidelidade continua hoje, como sublinhou: “Sabemos que Deus não desistiu de nós porque Ele continua a agir no mundo”. E acrescentou: “O agir mais belo de Deus é quando se gera uma nova vida. Isto é prova de que Deus ainda confia em nós, mesmo com a nossa fragilidade e o nosso pecado”.

Deus trabalha em nós

Recordando João Batista, afirmou: “Este é o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. Eu, diante d’Ele, não sou nada, mas Ele é”. Uma presença que se tornaria real naquela Eucaristia: “Daqui a instantes, quando dissermos as palavras de Jesus, Ele vai tornar-Se verdadeiramente presente no Seu Corpo. Isto é prova de que Ele continua a amar-nos”.

Na parte final da homilia, evocando São Paulo, resumiu toda a experiência cristã numa expressão simples: “Graças a Deus”. “Tudo o que acontece na minha vida e na tua vida não é por mérito nosso. É porque Deus trabalha em nós”, afirmou. Daí o apelo: “O desafio é aderir à vontade de Deus, procurá-la constantemente, reconhecendo que somos frágeis. Onde abundou o pecado, superabundou a graça”.

A homilia terminou com uma forte mensagem de esperança e vocação: “Aquilo que quero que fique no vosso coração é isto: Deus ama-vos muito”. E acrescentou: “Deus espera sempre por vós, como aquele pai que vê o filho ao longe, corre ao seu encontro, abraça-o e faz um grande banquete”.

Dando testemunho pessoal, o novo sacerdote afirmou: “Reconheço isto na minha vida: Deus chamou-me e eu disse que sim”. E concluiu: “Que também nós, quando o Senhor nos chamar, saibamos dizer que sim, sem medo e sem receio”.

Graças pelo ministério

No final da celebração, o Vigário Geral da Diocese do Funchal, cónego Marcos Gonçalves, usou da palavra em nome do bispo diocesano, dando graças a Deus “pelo ministério sacerdotal do Padre Marcos”. Na sua intervenção, recordou que “um padre deve ter quatro amores”, começando por “o amor a Deus, amá-lo com todas as forças e com toda a inteligência”.

Referindo-se à Igreja, afirmou: “Amar esta Igreja, santa porque Deus a santifica, mas tantas vezes pecadora porque estamos nós dentro dela”. E recordou palavras anteriormente partilhadas pelo próprio Padre Marcos: “Deus é aquele que, mesmo através do nosso pecado, se mete na nossa história e nos conduz pela belíssima história da salvação”.

O Vigário Geral sublinhou ainda a importância do serviço e da obediência: “Servir a Igreja é servir o nosso bispo, mesmo quando não percebemos tudo”. Destacou também o amor a Nossa Senhora, desejando que “Ela te conduza sempre no teu ministério sacerdotal”, e concluiu com o amor ao povo de Deus: “Ama o povo, sê simples, sê próximo, e conduz as pessoas não para ti, mas para Deus”.

Seguiu-se a intervenção do pároco da Calheta, padre Silvano Gonçalves, que falou com emoção: “Apenas quero manifestar o sentimento que há no meu coração: a minha alma glorifica o Senhor”. Comparando a vida paroquial ao trabalho agrícola, afirmou: “Semear custa, é doloroso, mas a alegria da colheita é grande. Hoje é dia de dar graças a Deus”.

Melhor servir o povo de Deus

No final, o Padre Marcos Rebelo dirigiu longos agradecimentos. “Em primeiro lugar, quero agradecer às nossas entidades públicas que tanto fazem pelo nosso concelho”, disse, saudando a presidente da Câmara, a Assembleia Municipal, a Junta de Freguesia, a Casa do Povo, a Santa Casa da Misericórdia, a Polícia de Segurança Pública e os Bombeiros Voluntários da Calheta, a quem agradeceu “por disponibilizarem o espaço para o convívio”.

Agradeceu também aos coros e músicos que animaram a celebração e iam animar também o convívio que se seguiu à mesma.

De forma especial, agradeceu ao bispo do Funchal, “pela confiança que depositou em mim”, ao cónego Marcos Gonçalves, “pela paciência e pelas palavras que guardei no coração”, e aos formadores do Seminário. “Tudo isto foi preparado em pouco tempo, mas com muita generosidade”, afirmou, reconhecendo o empenho de todos os que colaboraram.

“Por este ‘sim’ que eu dei, bendito seja Deus”, concluiu o novo sacerdote, acrescentando: “Tudo o que sou e tudo o que faço é para melhor servir o povo de Deus”. A Missa Nova do Padre Marcos Rebelo ficou assim marcada como um momento de grande fé, gratidão e esperança para a paróquia da Calheta e para toda a Diocese do Funchal.