A Paróquia de Santo Amaro acolheu, no sábado, 10 de janeiro, a Eucaristia que assinalou oficialmente a abertura da Escola Diocesana de Música Sacra, numa celebração presidida pelo bispo do Funchal, que reuniu comunidade paroquial, alunos, docentes e responsáveis deste novo projeto formativo da Diocese.
Na homilia, o prelado diocesano partiu da dificuldade que os contemporâneos de Jesus tiveram em reconhecer a sua verdadeira identidade. “Na maneira de aparecer, Jesus era um homem como todos os outros. No que era visto, era simplesmente um homem”, afirmou, recordando que essa realidade constituiu um verdadeiro desafio para os seus contemporâneos.
O bispo explicou que muitos apenas começaram a questionar-se quando escutavam as suas palavras e testemunhavam os seus gestos: “Quando falava e quando realizava gestos únicos, alguns começaram a perguntar-se se Ele não seria o profeta anunciado, o Messias esperado”. Contudo, frisou que o Evangelho revela algo mais profundo: “É o próprio Pai que diz: Este é o meu Filho muito amado, n´Ele está a minha complacência”.
A partir desta afirmação, o bispo do Funchal sublinhou a fé central da Igreja: “Se Jesus é Filho, então é Deus. Aquele homem verdadeiramente humano era, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus: Deus no meio de nós, Deus connosco”. Uma realidade que, segundo disse, torna possível à Igreja expressar Deus através da palavra, da arte e da música. “É aqui que encontramos a possibilidade de falar de Deus, de cantar Deus, de representar Deus”, afirmou.
Dirigindo-se à assembleia, lembrou ainda que esta relação filial não se limita a Cristo, mas estende-se a todos os batizados: “Pelo Batismo tornamo-nos filhos de Deus. Transportamos connosco um princípio de vida divina, um princípio de vida eterna”. Daí a responsabilidade do testemunho cristão: “Como é que isto aparece aos outros? Como é que os outros percebem que em nós existe algo de diferente, que é a vida de Jesus Cristo em nós?”.
Foi neste contexto que o bispo enquadrou a missão da música sacra. “A música começa por ser apenas sons. Mas quando esses sons se organizam, nasce a melodia. E a música sacra acontece quando essa melodia exprime Deus, quando diz Deus”, explicou. Acrescentou ainda que “nem toda a música é música sacra, e é por isso que é importante estudá-la, aprender a compor, a escutar e a viver a música ao serviço da fé”.
Referindo-se diretamente à nova Escola Diocesana de Música Sacra, desejou que este seja um espaço fecundo de evangelização, “que não se limitem a compor melodias bonitas, mas que saibam compor música para Deus e a partir de Deus, para que muitos possam encontrar Deus através da música que aqui se produz”.
No final da celebração, o Pe. Ignácio Rodrigues, responsável pela Escola, apresentou oficialmente o projeto e a equipa formadora, manifestando a gratidão da paróquia e da Diocese. “A Paróquia de Santo Amaro acolhe com profunda gratidão a fundação da Escola Diocesana de Música Sacra, um passo marcante na sua história pastoral, cultural e espiritual”, afirmou.
O sacerdote explicou que a escola não pretende formar concertistas, mas músicos ao serviço da liturgia: “Queremos executantes de uma harmonia correta e simples, que ajude a elevar a oração da assembleia juntamente com o canto”. Sublinhou ainda que a iniciativa nasce da convicção de que “a música sacra deve ser entendida e vivida por todos, como um serviço à liturgia e à comunidade”.
A Escola Diocesana de Música Sacra inicia o ano letivo com 25 alunos, oferecendo formação em música, órgão, canto, direção coral e liturgia, além de workshops abertos aos músicos da Diocese ao longo dos próximos meses.
A celebração ficou marcada por um forte sentido de ação de graças, confiando o futuro da Escola à missão de fazer da música oração, serviço e caminho de encontro com Deus, ao serviço da Diocese do Funchal e das suas comunidades.































