O padre João Gonçalves vai lançar a 15 de janeiro, pelas 18h30, no Museu de Arte Sacra do Funchal, o livro “De profundis. Pensar e acreditar depois de Auschwitz”. , uma obra nascida de uma interpelação poética inspirada num verso de Leandro Gomes de Barros: “Quem foi temperar o choro e acabou salgando o pranto”. A partir dessa pergunta, o autor entrou numa reflexão sobre o sofrimento humano que o conduziu ao trauma do Holocausto e à necessidade de pensar a fé e a vida depois dessa rutura histórica.
Para o sacerdote, Auschwitz não é apenas um lugar do passado, mas um símbolo que se prolonga no presente. Fala de um “campo semântico” que abrange as vítimas de todas as tiranias e guerras atuais, mostrando que a violência organizada continua a marcar a humanidade. Daí a sua recusa das narrativas que procuram legitimar a guerra e a sua denúncia do risco de nos habituarmos ao sofrimento visto nos meios de comunicação, processo que conduz àquilo que designa como “a banalização do mal”.
No plano teológico, a obra enfrenta a questdo “silêncio de Deus” perante o horror. João Gonçalves propõe a imagem de um “Deus ferido”, solidário com as vítimas, inspirado em testemunhos como o de Etty Hillesum, que revelam uma fé vivida no meio da dor. Esta perspetiva obriga a repensar uma teologia demasiado abstrata, para lhe devolver “carne”, isto é, a escuta da experiência concreta de quem sofre.
O livro entra ainda no terreno ético e político, lembrando Nuremberga para mostrar que nem tudo o que é legal é justo e que existe um dever de consciência face a leis e ordens que ferem a dignidade humana. A síntese final aponta para uma teologia centrada na escuta das vítimas e na responsabilidade perante o outro.



















