Vigília de Oração prepara ordenação dos diáconos Diogo Sousa e Marcos Rebelo

Foto: G.A.

Silêncio, luz, Palavra e testemunho marcaram a Vigília de Oração pelos diáconos Diogo Sousa (paróquia do Caniçal) e Marcos Rebelo (paróquia da Calheta), realizada na noite de quinta-feira, 8 de janeiro, na capela do Seminário Diocesano do Funchal, em preparação para a sua ordenação sacerdotal no próximo sábado, 10 de janeiro, na Sé do Funchal.

A celebração, preparada pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional, foi presidida pelo bispo do Funchal, D. Nuno Brás, e animada pelo coro do Projeto Akustica, reunindo seminaristas, familiares, sacerdotes e fiéis num clima de oração e escuta.

Desde a admonição inicial, a assembleia foi convidada a situar-se espiritualmente diante do que estava a acontecer. “Reunidos na presença de Deus, queremos hoje abrir os nossos corações em oração e gratidão”, ouviu-se, lembrando que “um novo sacerdote não nasce sozinho — ele nasce no seio do Povo de Deus, sustentado pela oração, pelo carinho e pelo testemunho de fé de cada um de nós”. A ordenação que se aproximava era apresentada, assim, não apenas como um ato pessoal, mas como um dom para toda a Diocese.

Diante do Santíssimo Sacramento exposto para adoração, a Palavra de Deus abriu o coração da Vigília. A leitura do profeta Ezequiel: “Vi a água sair do templo e todos aqueles a quem chegou esta água foram salvos”, falou de uma fonte que nasce no santuário e vai crescendo, levando vida por onde passa. Foi a partir dessa imagem que o diácono Diogo Sousa, natural do Caniçal, partilhou o seu testemunho. “O meu percurso começa num lugar muito concreto que é o Caniçal, numa família ligada à pesca”, disse, ligando a sua própria história ao mar e à vida simples do povo.

Comentando a visão do profeta, deteve-se na força simbólica do rio que se torna cada vez mais profundo à medida que se afasta do templo: “é belíssimo a forma como se desenrola todo o movimento da água que sai do templo e que vai em direção ao oriente; à medida que nos afastamos do templo a profundidade começa a aumentar”. Nesse dinamismo reconheceu a ação de Deus na sua própria vida, afirmando com confiança: “Deus providenciará, Deus sustenta e não esquece”.

Diogo revelou ainda que escolheu o primeiro versículo desta leitura para a pagela da sua Missa Nova, por falar “das graças que derivam do templo, do altar” e de “toda a vida que sai da Igreja”. O seu desejo para o ministério que agora vai iniciar ficou expresso numa oração simples e intensa: “que eu possa ser torrente de água profunda e que dê vida para os que vêm ao meu encontro, os que vivem à margem”, pedindo ainda que “a minha vida seja para outros alimento e remédio”.

Depois foi proclamado o Evangelho segundo São Lucas: “Eu estou no meio de vós como aquele que serve”. Na homilia, D. Nuno Brás retomou as imagens da água viva e de Cristo servo para falar da vocação cristã. “Esta fonte faz-nos perceber como a nossa vida só faz sentido com Ele”, afirmou, sublinhando que “o Senhor conduz-nos, faz vida connosco”. O bispo alertou para o risco de uma fé vivida à distância, “pobre a ver passar a procissão, pobre a ver o espetáculo”, quando a verdadeira vocação acontece “quando o Senhor passa por nós e nos chama, e nós deixamos tudo para ir com Ele”.

Referindo-se à diversidade dos dons na Igreja, D. Nuno recordou que Deus “vai dando a um esta graça, ao outro uma outra, para o serviço e para a vida de todos, para a vida do mundo”, ligando essa realidade ao coração do Evangelho. Num apelo direto e exigente, afirmou: “não tenhamos medo de nos perder neste Corpo e Sangue do Senhor. De nos perdermos. De perder a própria vida”, convidando todos a responderem a Deus “com toda a simplicidade mas com toda a disponibilidade”, à semelhança de Maria: “faça-se em mim, segundo a tua palavra”.

Diante do Santíssimo Sacramento, o bispo resumiu o sentido profundo daquela noite: “todos nós olhamos para a Eucaristia e dizemos: Ele está no meio de nós. Maravilha podermos reconhecer e estarmos seguros assim da sua presença”. E concluiu, retomando a imagem inicial do rio: “essa fonte que é o Espírito chega até nós, envolve-nos, leva-nos, conduz-nos e faz-nos perceber como a nossa vida só faz sentido com Ele”.

Após o Evangelho, foi a vez do diácono Marcos Rebelo partilhar o seu caminho. “O Senhor me deu força e me deu os instrumentos para ultrapassar todas as dúvidas”, começou por dizer, recordando que é natural de São Gonçalo de Amarante, cuja memória a Igreja celebra precisamente no dia da sua ordenação.

A sua vinda para a Madeira marcou decisivamente o seu percurso e foi aqui que encontrou uma verdadeira “casa-família”, que descreveu como “rocha” para a sua vida, agradecendo o testemunho dos seus avós e dos seus pais. Apesar do envolvimento na Igreja desde cedo nos acólitos, grupos de jovens, e como catequista, reconheceu que durante muito tempo “Jesus era só de boca”. O momento decisivo chegou no segundo ano da faculdade, quando um sacerdote italiano, o padre Alberto, lhe dirigiu as palavras que mudaram tudo: “vem e segue”.

Seguiram-se anos de formação e de discernimento, incluindo um período em Roma, até que, de regresso à Madeira, foi acompanhado pelo cónego Carlos, então reitor do seminário que lhe disse que lhe convidou a integrar o grupo de seminaristas no continente. Hoje, o diácono Marcos afirma que escolheu como lema a frase do Evangelho proclamado naquela noite: “Eu estou no meio de vós como aquele que serve”, certo de que Deus “leva-me sempre por caminhos de alegria”.

Depois da homilia, a Vigília continuou com a dinâmica da luz. D. Nuno Brás acendeu uma vela no Círio Pascal e transmitiu-a aos dois diáconos, que por sua vez a fizeram chegar a toda a assembleia. A chama passou de mão em mão, iluminando a capela e tornando visível aquilo que a celebração queria dizer: a fé recebida da Igreja e entregue de novo à Igreja.

Após a Reposição do Santíssimo Sacramento, os ordinandos realizaram as promessas, incluindo a profissão de fé e a assinatura dos respetivos documentos, formalizando o compromisso que antecede a ordenação sacerdotal. A Vigília terminou com um cântico de consagração a Nossa Senhora, junto à imagem de Nossa Senhora de Fátima, padroeira do Seminário, confiando à Mãe da Igreja o ministério que Diogo Sousa e Marcos Rebelo estão prestes a iniciar ao serviço do povo de Deus na Diocese do Funchal.