Toda e qualquer religião traz consigo a percepção de uma presença de Deus: alguém percebeu “o divino” que se manifestava de um determinado modo, e partilhou essa percepção com os outros — percepção que veio também mostrar e reconhecer os nossos limites de criatura finita.
Mas uma coisa são essas “percepções” de algo extraordinário — no sol, na terra ou em qualquer outro fenómeno —, outra coisa é reconhecer Deus em primeira Pessoa, Homem verdadeiro e Deus verdadeiro, tal como os cristãos proclamam desde o momento da ressurreição de Jesus. E mais: uma presença que não se limitou a um dado momento da história da humanidade, mas uma presença que continua, em todos os tempos e lugares, onde a Igreja estiver.
Mais que, simplesmente, recordar-nos um acontecimento único (o momento “zero” da história, quando Deus, em primeira Pessoa entra no tempo), o Natal grita-nos, em cada ano, a maravilha do Deus connosco.
No primeiro Natal, há 2025 anos, apenas o perceberam Maria, José, os pastores e os magos vindos do Oriente. Depois, os discípulos e as multidões deram-se conta dessa Presença, foram confrontados com ela. De tal forma que, incrédulos, os chefes judaicos a tentaram anular através da condenação à morte de Cruz.
A ressurreição, no entanto, destroçou a morte e tornou Jesus sempre presente. De Jerusalém, o anúncio foi tomando conta do mundo inteiro, em todos os tempos. É o anúncio de um Deus ao nosso lado e connosco. É o anúncio de um Deus a dar-nos vida e a ajudar-nos a viver melhor a nossa vida. É o anúncio de um Deus que, presente na nossa história pessoal, nos abre o horizonte novo da eternidade.
Perceber Deus connosco, na nossa vida, no nosso mundo, eis em que consiste a vida da fé cristã. Muito mais que sentimentos, são acontecimentos. É um pensar, um agir, um modo de ser.

















