A Eucaristia presidida por D. Nuno Brás marcou o encerramento do retiro espiritual em que participaram os diaáconos Diogo Sousa e Marcos Rebelo, que serão ordenados sacerdotes este sábado, dia 10 de janeiro.
A celebração teve lugar na Capela das Irmãs Clarissas, na Caldeira, convento onde decorreu o retiro, que teve início na tarde de domingo, dia 4 de janeiro, e foi orientado pelo Pe. Estêvão Fernandes, diretor do Pontifício Colégio Português, em Roma.
Na homilia, D. Nuno Brás centrou a sua reflexão na autoridade de Jesus e no cumprimento da Sagrada Escritura, sublinhando que Cristo não se apresenta apenas como intérprete da Lei, mas como o seu próprio autor. “Quando Jesus diz: ‘Ouvistes que foi dito aos antigos’, Ele coloca-se acima de Moisés, acima da compreensão humana”, afirmou, acrescentando: “Aqui está quem é maior do que Moisés, aqui está quem é maior do que a própria compreensão humana”.
O bispo do Funchal explicou que a autoridade de Jesus não é a de um simples comentador da Lei, mas a d’Aquele de quem a Palavra nasce. “A autoridade de Jesus ultrapassa a autoridade de qualquer meditador ou intérprete, para passar a ser a autoridade do autor”, sublinhou, afirmando com clareza: “Esse momento e essa realidade é Jesus, Deus no meio de nós”.
Comentando a passagem evangélica proclamada, o relado destacou a afirmação de Cristo na sinagoga de Nazaré: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura». Para o prelado, esta declaração só é possível porque corresponde à verdade profunda da identidade de Jesus. “Se fôssemos nós, parecer-nos-ia falta de humildade ousar dizer que o profeta estava a pensar em nós”, reconheceu, mas esclareceu: “Se há um momento em que estas palavras deixam de ser excesso para serem necessárias, é quando elas são verdadeiras”.
Segundo o bispo, “o profeta Moisés falava de Jesus, de Jesus de Nazaré, e falava também daquele momento concreto que estavam a viver”. Por isso, Jesus pode dizer de Si mesmo aquilo que mais ninguém poderia dizer: «Cumpre-se hoje esta Escritura».
A reflexão estendeu-se depois à vida cristã e, de modo particular, à vocação sacerdotal. “Aquilo que Jesus diz de Si mesmo, diz também daqueles que vivem n’Ele, daqueles que fazem parte do seu povo”, afirmou D. Nuno Brás, recordando que a identidade cristã nasce da unção do Espírito Santo. “Que é ser cristão, senhores, senão deixar que o Espírito Santo em nós faça maravilhas?”, questionou.
Citando o cardeal Carlo Maria Martini, o bispo sublinhou que a Palavra de Deus não fala apenas para os crentes, mas da própria vida deles. “Só entenderemos plenamente a Sagrada Escritura quando percebermos que ela não fala apenas para nós, mas fala de nós»”, afirmou, acrescentando que “somos fruto da ação do Espírito Santo no mundo, em nós e no nosso coração”.
Dirigindo-se de forma especial aos futuros sacerdotes, D. Nuno Brás sublinhou que o ministério presbiteral encontra aí o seu segredo mais profundo. “Este é o segredo de todo o ministério sacerdotal: deixar que o Espírito faça tudo”, afirmou, explicando que isso implica “deixar que o Espírito se tome a palavra na nossa boca e no nosso coração, ilumine tudo aquilo que vemos e conduza as nossas mãos e os nossos pés”.
A concluir, o bispo convidou todos os presentes a uma atitude permanente de docilidade espiritual. “Demos ao Senhor a capacidade de nos deixarmos possuir pelo Espírito, como Ele quer”, exortou, formulando o desejo de que também da vida de cada cristão — e de modo particular da vida sacerdotal — “se possa dizer: cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de escutar”.
Antes da bênção final houve ainda tempo para o bispo diocesano agradecer a todos quantos estiveram envolvidos neste retiro, especialmente às Irmãs da Caldeira que continuam e “vão continuar a rezar, para que o Senhor continue a enviar pastores, santos, dedicados, para o serviço do seu povo, para o seu serviço”.


















