Associação “Madre Virgínia” associa-se ao novo ciclo pastoral do Santuário de Fátima

D.R.

A Associação “Madre Virgínia em união ao Imaculado Coração de Maria”, associou-se ao novo ciclo pastoral do Santuário de Fátima (2025-2027), centrado no tema “Coração de Maria, caminho para ver a Deus”, promovendo um conjunto de iniciativas de reflexão, oração e aprofundamento da devoção mariana.

Segundo o comunicado da Associação, este novo ciclo pastoral de Fátima tem como contexto inspirador “a vida da venerável Irmã Lúcia de Jesus”, propondo-se ajudar os fiéis a percorrerem um caminho espiritual centrado no Coração Imaculado de Maria. Em sintonia com esta proposta, a Associação convida os seus associados “a refletir sobre o lugar do Coração Imaculado de Maria na vida cristã e a aprofundar a devoção dos primeiros sábados”.

A mesma nota sublinha que esta reflexão é feita “com a vida da venerável Irmã Lúcia de Jesus como contexto inspirador e com a vida da Madre Virgínia Brites da Paixão, primeira missionária do Imaculado Coração de Maria (desde 1913)”. A Associação recorda ainda que o processo diocesano de beatificação e canonização da Madre Virgínia “foi encerrado e enviado para o Vaticano no dia 2 de outubro de 2021 e que já ganhou a aprovação jurídica”.

No âmbito da sua missão estatutária, a Associação tem promovido a difusão desta devoção através de uma exposição itinerante intitulada “Madre Virgínia, uma proposta de vida, um caminho para Deus”, composta por 12 roll-ups. De acordo com o comunicado, esta exposição tem sido levada “a todas as Paróquias da Ilha com o objetivo de promover a difusão da devoção ao Imaculado Coração de Maria no primeiro sábado de cada mês”, dando continuidade ao que a Associação identifica como “o pedido do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria à Madre Virgínia Brites da Paixão e posteriormente à Irmã Lúcia”.

A Associação destaca igualmente a execução da estátua em bronze da Madre Virgínia, atualmente colocada na rotunda que recebe o seu nome em Santo António. No comunicado, manifesta-se satisfação pelo facto de se tratar “da primeira estátua de uma mulher madeirense, na Ilha da Madeira”.

No plano celebrativo, a Associação informa que esta quinta-feira, 8 de janeiro, tem início um novenário que culminará a 17 de janeiro, data da morte da Madre Virgínia Brites da Paixão. As novenas têm lugar na Igreja de Santo António, com “recitação do terço às 18h30m seguida de missa pelas 19h”.

No final do comunicado, a Associação explicita o horizonte mais amplo desta iniciativa pastoral, afirmando: “Queremos colaborar com o novo ciclo pastoral do Santuário de Fátima que se propõe aprofundar a reflexão sobre ‘Fátima, caminho de paz e humanidade num Mundo endurecido’”.

A nota é acompanhada por uma síntese biográfica da Madre Virgínia Brites da Paixão, nascida no Lombo dos Aguiares, em Santo António, cuja vida espiritual e missionária ficou profundamente marcada pela devoção ao Imaculado Coração de Maria, deixando na Igreja da Madeira uma herança de fé, entrega e testemunho que continua a inspirar gerações.



Publicamos na íntegra a síntese biografia da Madre Virgínia:

Foto: Duarte Gomes (arquivo)

Virgínia da Silva nasceu no dia 24 de outubro de 1860 no Lombo dos Aguiares, freguesia de Santo António – Funchal, tendo sido a nona filha de Manuel Gomes da Silva e de Maria de Jesus.

Foi batizada no dia 6 de janeiro, na Igreja de Santo António – Funchal

Aos 6 anos de idade, na Igreja de Santo António, no momento da elevação viu um Menino sair do altar e dirigindo-se a ela disse-lhe que iria à sua casa à noite. E foi. Era o Menino Jesus. Nessa noite, quando todos dormiam, o Menino apareceu e uma luz iluminou todo o quarto. Virgínia disse: Menino apague essa luz que as minhas irmãs vão acordar.

Porém, o Menino respondeu que só ela veria essa luz e tirando um anel do Seu Coração meteu-o no dedo da pequena Virgínia como sinal da aliança que os unia para sempre.

Aos nove anos, no dia da 1ª Comunhão, Jesus pediu-lhe o coração.

Aos doze anos de idade, Virgínia escolheu São João Evangelista para guarda da sua pureza.

Aos 14 anos, escolheu o Pe. Ernesto Schmitz capelão do Hospício, D. Maria Amélia, para seu guia espiritual.

Aos 16 anos, com a ajuda do Pe. Schmitz, deu entrada no Mosteiro de Nossa Senhora das Mercês, no Funchal.

Aos 23 anos, fez a sua Profissão Religiosa.

Desempenhou muitos cargos desde Porteira, Formadora de noviças e Escrivã

Aos 43 anos (1909) foi eleita Abadessa do Mosteiro.

Em 1910 deu-se a Implantação da República – os conventos foram fechados. As religiosas foram presas no Palácio de São Lourenço. No dia seguinte, foram entregues à Família. A Madre Virgínia regressou a casa dos pais, no Lombo dos Aguiares.

Em 1913, 1914, 1915 e 1916, já a viver em casa dos pais, deram-se as revelações nas quais o Sagrado Coração de Jesus pediu-lhe a difusão da devoção ao Imaculado Coração de Maria.

Em fevereiro de 1915 foi formada a primeira Confraria do Imaculado Coração de Maria, na Paróquia de Santo António, no Funchal. O Pe. Prudêncio era o Pároco e seu confessor. O Bispo D. António Manuel Pereira Ribeiro ordenou que em todas as Paróquias fossem formadas Confrarias do Imaculado Coração de Maria.

1915 – A Madre Virgínia por ordem de Jesus, enviou ao Papa Bento XV documentos com os pedidos de Jesus. Mais tarde, o Pe. Prudêncio foi a Roma.

1919 – A 25 de agosto na Fajã do Penedo, na freguesia de Boaventura, celebrou-se a 1ª Festa em honra do Imaculado Coração de Maria.

1922 – A Família Imperial de Carlos de Áustria, solicita-lhe oração, pois o Imperador estava gravemente doente. Jesus revelara-lhe que o Imperador ia morrer antes que fosse morto por espias que já se encontravam no Funchal.

A Madre Virgínia ficou muito amiga da Imperatriz Zita e com ela trocou muita correspondência quando a Imperatriz com os seus oito filhos embarcou para a Espanha.

17 de janeiro de 1929 foi o dia da sua morte. 

No dia seguinte, o cortejo fúnebre mais parecia uma procissão com crianças vestidas de branco, e com coroas de flores na cabeça. Vieram pessoas de toda a Ilha num gesto de gratidão para com aquela que chamavam “a santa freirinha do Lombo dos Aguiares”. Os Irmãos de São João de Deus transportaram o pobre ataúde às costas, desde a casa para a Igreja e desta para o Cemitério de Santo António.