No âmbito da passagem dos 110 anos do falecimento da Venerável Irmã Teresa de Saldanha, fundadora das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, a comunidade da Madeira vive, hoje, dia 7 de janeiro um momento especial de oração com a realização de uma Vigília, pelas 19h30, no Abrigo de Nossa Senhora de Fátima, situado no Caminho do Poço Barral.
Amanhã, dia da partida para o Céu da Venerável Madre Teresa de Saldanha, a celebração prossegue com a Eucaristia comemorativa, às 18 horas, na Paróquia de Santo Amaro, reunindo a comunidade local e todos quantos se sentem ligados ao carisma desta mulher de profunda fé, que marcou de forma indelével a vida da Igreja.
Presentes na Madeira, na comunidade de Santo Amaro, as Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena continuam a dar testemunho do legado espiritual e apostólico da sua fundadora, através da oração, da vida fraterna e do serviço pastoral e social junto das crianças, jovens, doentes e pessoas em situação de maior fragilidade.
No contexto destas celebrações, o Jornal da Madeira esteve à “conversa”, via mail, com a Irmã Teresa de Jesus, procurando compreender a atualidade do carisma da Venerável Madre Teresa de Saldanha e a missão que hoje desenvolvem na Região.
Qual é o traço do carisma da Madre Teresa de Saldanha que continua mais vivo na vossa missão aqui na Madeira?

O traço mais vivo do nosso Carisma aqui na Madeira, hoje, é, em primeiro lugar, a nossa Presença como comunidade que somos, através da oração e testemunho de vida fraterna, e a missão que somos chamadas a vivenciar, junto das crianças nas catequeses, os jovens e nas paróquias onde vivemos e trabalhamos.
A nossa presença e vivência junto da Instituição de acolhimento de crianças e jovens (Abrigo Nª Sª de Fátima), não como primeiras na missão e nas vidas dos jovens, mas como testemunho de vida e acolhimento, com palavras amigas, e ajudando naquilo que for necessário.
Estamos a colaborar nas catequeses em duas paróquias: Santo Amaro e São Pedro.
Na nossa Paróquia asseguramos o projeto da Porta Aberta, onde cada irmã está disponível para a escuta e atendimento das pessoas que aí recorrem. De quinze em quinze dias fazemos a celebração da Palavra junto dos utentes do lar, dando a Sagrada Comunhão a quem a deseja. Atendemos e escutamos a população que nos procura para conversar, damos atenção aos mais marginalizados, os pobres e os doentes. Realizamos visitas a alguns doentes nos seus domicílios, dando-lhes algum apoio moral e espiritual.
“Atendemos e escutamos a população que nos procura para conversar, damos atenção aos mais marginalizados, os pobres e os doentes”.
A vossa fundadora dizia que se deve “fazer sempre o bem”. Como é que três irmãs, hoje, conseguem multiplicar esse “bem” na realidade atual da ilha?
A Venerável Madre Teresa de Saldanha dizia: “Deus acima de tudo”. Como Dominicanas de Santa Catarina de Sena, a oração é um dos pilares da vida comunitária e pessoal. Através da oração levamos as pessoas a Deus e levamos os seus frutos a cada pessoa que encontramos no nosso dia a dia, fazendo o bem sempre e onde seja possível. Acreditamos que pela oração/contemplação, pelo estudo, pela vida fraterna e pela missão levamos Deus a cada pessoa.
Sendo uma congregação portuguesa, de que forma o exemplo de coragem da Madre Teresa de Saldanha vos inspira a enfrentar os desafios da falta de vocações?
A nossa Madre Fundadora dizia: “Nada de desanimar. Tudo é por Deus e estamos nas Suas mãos”, “Deus nunca abandona os que põem nele toda a confiança”. A Congregação tem vocações, embora neste momento tenha havido poucas vocações portuguesas. Graças a Deus, há muitas vocações que estão a surgir noutros lugares, espalhados pelo mundo. Contudo acreditamos que, em Portugal e mesmo na Europa, os jovens estão a fazer opções de vida e de consagração com maior frequência. A JMJ e o Jubileu foram, para cada um de nós, grandes desafios para a mudança de vida, de atitude e de compromisso.

Atualmente são apenas três irmãs na Madeira. Sendo um número reduzido, como é que organizam o vosso quotidiano para manterem a presença espiritual e o apoio social que a vossa congregação sempre ofereceu?
Sim, somos três, mas dentro destes dias vem uma irmã mais jovem, durante seis meses, fazer a sua experiência missionária junto de nós. E isso também é motivo de ação de graças. A comunidade está organizada de forma que cada irmã realize a missão que lhe está confiada.
Sente que a população da Madeira tem um carinho especial pela vossa congregação? Como tem sido o acolhimento ao longo destes anos?
Sim, sentimos que a comunidade madeirense tem grande apreço pela presença das Irmãs, que ao longo de muitos anos se têm dedicado à educação e ao apoio social das crianças e jovens, quer no Abrigo, quer na Fundação Cecília Zino e agora mais concretamente nas paróquias onde trabalham. Todas as irmãs que viveram e passaram por aqui têm grandes recordações. Sempre fomos muito bem aceites e muito felizes.
“O Carisma da Venerável Madre Teresa de Saldanha (…) é muito atual e, além das Irmãs, os leigos também sentem que esta é uma forma de vivenciar o Evangelho”
Recentemente foi criado o Grupo de Amigos das Irmãs de Santa Catarina de Sena. Qual é a importância deste grupo para a sustentabilidade da vossa missão?
Os Amigos e os Voluntários Teresa de Saldanha são sempre o prolongamento da missão das Irmãs, porque podem chegar onde as Irmãs não chegam, nesta grande missão de Fazer o Bem Sempre, dando Jesus a cada homem e mulher com quem vivem.
Muitos dos leigos ligados à Congregação partilham a vida de oração e missão juntamente com as Irmãs.
De que forma os leigos (os amigos) podem ajudar na prática? É apenas um apoio material ou há também uma partilha espiritual?
Os leigos podem participar ativamente na missão da Congregação. Ninguém ama o que desconhece, daí a importância da formação espiritual e congregacional para conhecer o Carisma da Congregação e da Ordem Dominicana onde, desde o início, estamos inseridas espiritualmente.
“Como Dominicanas de Santa Catarina de Sena, a oração é um dos pilares da vida comunitária e pessoal”.
Este grupo de amigos é também uma forma de garantir que o carisma da Venerável Madre Teresa de Saldanha não se perca, independentemente do número de religiosas da Congregação Santa Catarina de Sena?
Acredito que, como referimos anteriormente, os leigos são sempre uma grande interajuda na missão de cada comunidade. O Carisma da Venerável Madre Teresa de Saldanha, que legou à Congregação, é muito atual e, além das Irmãs, os leigos também sentem que esta é uma forma de vivenciar o Evangelho, seguindo este carisma.
Sobre o futuro: que mensagem gostaria de deixar aos jovens ou a quem queira colaborar convosco, agora que celebram esta data tão significativa?
Celebrar 110 anos do nascimento da Venerável Madre Teresa de Saldanha para o Céu é uma oportunidade que a Congregação tem para refletir sobre a santidade que somos chamadas a vivenciar no dia a dia. Ela dizia: “Nada se pode comparar com a alegria de ser toda de Deus” e ainda “Desejo fazer o bem, em silêncio”. Estas são as mensagens que gostaríamos de dar a cada pessoa que vive e trabalha connosco. Dizia ela: “Assim se fazem as obras de Deus”.





















