Jubileu 2025 reúne mais de 33 milhões de peregrinos em Roma — “Um futuro carregado de paz e serenidade”

Foto: Vatican Media

O Ano Santo de 2025 levou a Roma 33.4 milhões de peregrinos provenientes de 185 países, um número que ultrapassou de forma significativa as projeções iniciais e confirmou o Jubileu da Esperança como um acontecimento espiritual e humano de dimensão global. O balanço foi apresentado pelo pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, D. Rino Fisichella, na Sala de Imprensa da Santa Sé, na véspera do encerramento oficial do Jubileu, presidido pelo Papa Leão XIV, com o fecho da Porta Santa da Basílica de São Pedro.

As estimativas apontavam para cerca de 31 milhões de fiéis, mas o fluxo ultrapassou as previsões e confirmou, segundo D. Fisichella, a força espiritual do acontecimento. “A dimensão espiritual que está na base do Jubileu permitiu constatar um povo em caminho, com grande desejo de oração e de conversão”, assinalou o responsável, sublinhando que “as Basílicas Papais e outros centros de oração, como, por exemplo, a Escada Santa, registaram presenças jamais vistas anteriormente”.

O pró-prefeito destacou ainda o impacto pastoral do Ano Santo: “As confissões aumentaram e a celebração jubilar do perdão pleno, a indulgência, chegou a todos”. Na sua avaliação final, D. Rino Fisichella afirmou que o Jubileu “ofereceu esperança às pessoas e ao mundo”. “O Jubileu encerra-se, mas permanecem os muitos sinais de esperança que foram oferecidos, e amplia-se o horizonte para sustentar um futuro carregado de paz e serenidade, como todos desejam. Numa palavra, este Ano Santo alcançou o objetivo expresso na bula de convocação do Jubileu Spes non confundit: ser, para todos, ocasião de reavivar a esperança”.

Dos peregrinos que passaram por Roma ao longo do Ano Santo, 62% procederam da Europa. A Itália surge em primeiro lugar em número de presenças, seguindo-se os Estados Unidos e a Espanha entre os países com maior participação. O Brasil e a Polónia completam o grupo das nacionalidades mais representadas no Jubileu, segundo os dados apresentados pelo Dicastério para a Evangelização.

As autoridades civis italianas elogiaram o que designaram como “método Jubileu”, marcado pelo trabalho articulado entre instituições do Estado, município e regiões. O prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, afirmou que “os peregrinos não retiraram nada da capacidade de Roma de acolher turistas e de oferecer serviços aos seus cidadãos. Pelo contrário, o Jubileu foi um motor impulsionador”. Sublinhando a relação de benefício recíproco entre cidade e peregrinos, apontou o encontro dos jovens em Tor Vergata como um momento marcante: “Tor Vergata, por exemplo, é um evento que permanecerá na história da nossa Cidade e da Igreja”.

Também os serviços de emergência e segurança destacaram o clima de serenidade e cooperação criado pelo Jubileu. O presidente da Região do Lácio, Francesco Rocca, referiu que o serviço de emergência 118 realizou 580 mil atendimentos, um acréscimo de 40 mil face ao ano anterior, e os atendimentos hospitalares de urgência atingiram 1,6 milhões.

Tolentino Mendonça sublinha “ano muito intenso de passagem de testemunho”

Em paralelo com o balanço institucional do Jubileu, o cardeal D. José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, traçou igualmente uma leitura positiva do Ano Santo, sublinhando a sua singularidade histórica.

“Vivemos, neste ano jubilar, a surpresa da partida do Papa Francisco, a chegada do Papa Leão XIV, um ano muito intenso de passagem de testemunho, de aprofundamento da Esperança”, declarou o cardeal português, destacando “um balanço muito positivo”, com “largos milhões de peregrinos que foram a Roma” e iniciativas que constituíram “momentos muito importantes”.

Responsável pela organização de três jubileus setoriais — Artistas e Mundo da Cultura, Desporto e Mundo Educativo — D. José Tolentino Mendonça afirmou que “a nossa perceção é extraordinariamente positiva, quer pelo número, quer pela qualidade dos participantes”, apontando a importância de “criar rede” e “valorizar a inteligência coletiva”.

“Que nós tenhamos de facto a perceção que, sendo comunidade e reforçando as dinâmicas comunitárias, as nossas sociedades se fortalecem e vencem melhor os desafios muito importantes que têm para viver”, sublinhou.

A conclusão do Ano Santo de 2025, o 27.º Jubileu ordinário da história da Igreja Católica, vai decorrer esta terça-feira, 6 de janeiro, com o encerramento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, tendo já sido concluído nas dioceses de todo o mundo a 28 de dezembro de 2025.