Portugal 40 anos na União Europeia: D. Nuno Brás realça papel “sensato” do país e pede voz crítica da Igreja nas instituições comunitárias

Foto: COMECE

No contexto das comemorações dos 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia, D. Nuno Brás, bispo do Funchal e vice-presidente da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE), destacou o contributo “sensato” e de “mediação” que o país tem desempenhado no seio europeu e defendeu que a Igreja Católica deve manter uma “voz crítica” junto das instituições comunitárias.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, D. Nuno Brás sublinhou que, apesar de Portugal ser considerado geograficamente periférico e possuir menor influência económica ou política face às grandes potências da União, essa condição tem permitido ao país assumir um papel de “construtor de pontes” e ser ouvido de forma respeitosa nas tomadas de posição europeias.

O bispo recordou que Portugal e Espanha se tornaram Estados-Membros da então Comunidade Económica Europeia a 1 de janeiro de 1986, processo que marcou uma viragem no percurso político e económico nacional e que, ao longo de quatro décadas, estendeu as relações económicas, sociais e diplomáticas do país dentro e fora do espaço comunitário.

Para D. Nuno Brás, a vantagem estratégica de Portugal também se manifesta através de “relações privilegiadas” com países de língua portuguesa, como o Brasil, e com vários países africanos, reforçando uma perspetiva de cooperação alargada que ultrapassa as fronteiras europeias.

Sobre a missão da Igreja junto das instituições da União Europeia, o vice-presidente da COMECE apelou a uma postura ativa e vigilante, afirmando que “precisamos de ser críticos e precisamos de fazer ouvir a nossa voz”, sublinhando que tal atitude não implica a aceitação automática de todas as decisões políticas, mas um discernimento atento à luz dos princípios éticos e sociais da Doutrina Social da Igreja.

D. Nuno Brás explicou ainda que a COMECE acompanha de forma sistemática os processos legislativos europeus através do diálogo com assessores e decisores, procurando antecipar desafios e promover a reflexão ética em matérias de interesse comum. Nos casos em que a perspetiva católica não é acolhida, acrescentou, é necessário assumir uma atitude de resiliência e perseverança, “parte integrante da vida humana e da própria experiência cristã”.

A COMECE é constituída por bispos delegados das Conferências Episcopais dos 27 Estados-Membros da União Europeia, com o objetivo de acompanhar o processo político e legislativo comunitário. A entrevista a D. Nuno Brás será difundida no Programa ECCLESIA, este domingo, 4 de janeiro, às 06h00, na Antena 1.