Missa do Galo enche Sé do Funchal e renova mensagem de esperança

Foto: Duarte Gomes

A Sé do Funchal esteve completamente cheia na noite desta quarta-feira, 24 de dezembro, para a celebração da Missa do Galo, presidida por D. Nuno Brás, bispo do Funchal. 

Perante uma assembleia “abarrotar de fiéis”, o prelado sublinhou a centralidade do Natal como fonte de esperança para toda a humanidade, recordando que “hoje não celebramos o nascimento de uma criança qualquer, mas o nascimento de Deus em nossa carne, há 2025 anos”.

Na homilia, D. Nuno Brás partiu da experiência humana do nascimento para introduzir o mistério do Natal. “O nascimento de uma criança é sempre motivo para uma esperança renascida, não apenas para os seus pais e sua família, mas para o mundo inteiro”, afirmou o prelado, para logo acrescentar que “o aparecimento de uma vida nova, o choro dum recém-nascido que saúda o universo, faz sempre ressurgir a esperança dum futuro melhor para todos”.

Contudo, vincou o bispo diocesano, a celebração cristã do Natal vai mais longe. “Hoje alegramo-nos pelo nascimento de Deus em nossa carne”, frisou, lembrando que este acontecimento único mudou definitivamente a história da humanidade.

Ao longo da homilia, D. Nuno Brás desenvolveu três aspetos centrais do mistério do Natal, sublinhandoem primeiro lugar que “Deus quis nascer de uma mulher, quis nascer pobre entre os pobres e quis nascer de uma Virgem, para mostrar que é Deus”.

Sobre este primeiro ponto, explicou que Deus “poderia ter encontrado outro modo de aparecer no seio da história”, mas escolheu nascer de uma mulher “para tomar a nossa carne mortal”. “Não quis ser uma figura, uma aparência, um ‘avatar’. Quis ser carne verdadeira, limitada, capaz de sofrer, de adoecer e de morrer. Homem verdadeiro”, afirmou, sublinhando que só assim poderia salvar “os desterrados filhos de Eva” que vivem num mundo marcado pelo sofrimento.

Quanto ao nascimento pobre de Jesus, o segundo ponto, o bispo do Funchal salientou que Deus “quis nascer pobre entre os mais pobres, para que todos O pudessem acolher”. Se tivesse nascido num palácio ou no conforto, explicou, “poder-se-ia julgar que, para acolher o Salvador, seria necessário ter dinheiro, fama, sabedoria ou algum poder humano”. E acrescentou: “Não: Deus quis nascer pobre, para que ninguém se sentisse excluído”.

O terceiro aspeto destacado foi o nascimento de Jesus de uma Virgem. Segundo D. Nuno Brás, este sinal “não condena a sexualidade humana”, mas mostra que “aquele Menino é o Deus verdadeiro que vem ao encontro de todos”.Isto é, “não é apenas um herói ou um sábio acima dos outros; é o Deus único que se humilha e se limita porque ama a humanidade inteira e cada um de nós em concreto”, afirmou.

A homilia culminou com uma forte mensagem de esperança, inspirada na imagem bíblica do fim da guerra e da violência. “Eis porque surge a âncora da esperança. Eis porque nos é permitido esperar”, declarou o prelado, recordando que, naquele Menino do Presépio, “já vemos realizado aquilo que o nosso mundo há-de ser”.

“Aquele Menino é a esperança do mundo inteiro”, afirmou D. Nuno Brás, sublinhando que “Deus nasceu como Homem para nós, que n’Ele acreditamos, e nasceu para todos, porque a todos quer salvar”. A concluir, o prelado deixou um apelo jubiloso à assembleia: “Rejubilemos e cantemos: o futuro — nosso e de toda a humanidade — nasceu naquele frio presépio de Belém. E é um futuro de felicidade, de vida e de vida eterna”.

A celebração terminou num ambiente de profunda emoção e recolhimento, marcado pela participação intensa dos fiéis, que encheram por completo a Sé do Funchal para celebrar o Natal e renovar a esperança cristã no nascimento de Cristo.