São 16 anos a organizar uma das romagens que antecedem o Natal na paróquia do Sagrado Coração de Jesus – Boa Nova. Numa das Missas do Parto, lá vem Cláudio Filipe com o “seu” grupo de cantores e tocadores até à igreja, dando corpo a uma tradição que une fé, música, solidariedade e comunidade.
Participam pessoas da paróquia e também de fora, todas unidas pelo mesmo propósito: “servir e louvar o Senhor”. Dias antes, há ensaios, preparam-se versos e quadras, num trabalho conjunto que culmina num momento profundamente espiritual, mas também solidário, já que aquilo que se leva na romagem “ajuda famílias carenciadas, responde a necessidades concretas e transforma a fé em gestos”.
Uma fé que nasce na comunidade
A história de fé de Cláudio Filipe confunde-se com a própria história da paróquia. “A minha história de fé começa aqui, nesta comunidade paroquial do Sagrado Coração de Jesus – Boa Nova. Foi aqui que cresci, dei os primeiros passos na fé, recebi os Sacramentos, celebrei o Matrimónio e aprendi que a Igreja é, antes de tudo, família.”
Ao longo desse caminho, encontrou pessoas decisivas, conforme o próprio refere: “Tive a graça de encontrar boas catequistas, mulheres e homens simples, mas cheios de Deus. Tocaram-me não só pelas palavras, mas sobretudo pelo exemplo de vida. Com elas aprendi algo essencial: a fé não se guarda, vive-se.”
A catequese, a liturgia, o grupo de jovens, as festas e as romagens foram moldando o seu percurso cristão e pessoal.
A romagem como encontro vivo
Para Cláudio Filipe, a romagem vai muito além da tradição. “A romagem não é apenas uma tradição. É encontro e reencontro. É voltar a ver amigos, conhecidos, rostos que às vezes só se veem uma vez por ano, mas que continuam ligados pelo mesmo amor a Deus e à comunidade.”
Na romagem caminham pessoas de todas as idades, com histórias diferentes, mas com o mesmo passo de fé. “A tradição não está parada — anda, caminha, vive.”
As oferendas são diversas: bens materiais, toalhas, estandartes ou contributos monetários. No entanto, sublinha que “o mais importante é sempre aquilo que levamos no coração”.
16 anos de serviço partilhado
Com o incentivo e a confiança do Sr. Cónego Toni, Cláudio colabora há 16 anos na organização da romagem e do grupo de tocadores da Missa do Parto.
“Juntam-se pessoas da paróquia e também de fora, cada uma oferecendo o que tem para servir e louvar o Senhor.” Há versos que se repetem e outros que surgem de novo.
Este ano, a preparação foi ainda mais partilhada. “Em anos anteriores, muitas vezes fui eu a preparar; este ano, partilha-se a missão, porque a Igreja faz-se juntos.”
Fé que se transforma em alegria e solidariedade
A dimensão solidária da romagem é clara e concreta, mas é também emocionalmente marcante.
“É impossível não se emocionar ao ver o brilho nos olhos de quem espera à porta da igreja. Quando entram os tocadores, quando soam os instrumentos, percebe-se que a Eucaristia é festa.” E acrescenta: “Fazer festa na igreja não é desrespeitar Deus. É celebrar com Ele, reconhecer que Ele caminha connosco.”
Um caminho para o futuro
O desejo de Cláudio Filipe é simples e profundo: “Que esta romagem seja mais do que um costume: seja oração em movimento, louvor cantado, serviço vivido e comunidade em caminho.”
Para ele, quando caminham juntos — pastor e povo — “a fé fortalece-se, o serviço torna-se mais leve e a romagem transforma-se num verdadeiro caminho espiritual, vivido em comunhão, alegria e esperança”.
No final, deixa uma nota pessoal de gratidão: “Fico muito feliz por colaborar no ser Igreja, acolher todos — todos, todos, todos — e louvar a Virgem do Parto. Gosto imenso de organizar e colaborar nas romagens do Santíssimo Sacramento, na Missa do Parto e noutras ocasiões. Tudo para louvor de Deus Nosso Senhor, com o apoio de todos e para todos.”
























