As tradicionais Missas do Parto tiveram início na madrugada desta segunda-feira, dia 15 de dezembro, em várias paróquias da Região, marcando mais uma vez o tempo do Advento vivido em clima de vigília, esperança e preparação para o Natal.
A Paróquia da Nazaré associou-se, como habitualmente, a esta tradição profundamente enraizada, dedicando a primeira celebração aos militares e às demais forças de segurança.
A Eucaristia, que contou com a presença de numerosos fiéis, paroquianos e participantes vindos de outras comunidades, dos diversos comandos militares e de segurança da RAM, da Ministra do Trabalho,Maria do Rosário Palma Ramalho,bem como dos secretários da Economia e da Inclusão José Manuel Rodrigues e Paula Margarido, entre outras entidades civis, foi concelebrada pelo pároco da Nazaré e pelo Capelão das Forças de segurança na Região e presidida por D. Nuno Brás, que dirigiu palavras de acolhimento a todos os presentes.
A homilia, essa, esteve a cargo de D. Sérgio Dinis, bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, cuja presença sublinhou o caráter particular desta primeira Missa do Parto, dedicada àqueles que têm como missão vigiar, servir e proteger.
Na sua reflexão, D. Sérgio Dinis começou por sublinhar o significado da celebração em plena madrugada: “Irmãos e irmãs, ainda é madrugada. A noite não terminou por completo e, no entanto, já estamos aqui. Porque quem verdadeiramente espera não dorme descansado: vigia, levanta-se, põe-se a caminho.” Referiu que as Missas do Parto nascem precisamente desta fé vigilante, que acredita que a luz há de chegar mesmo quando o dia ainda não despontou.
O prelado destacou a leitura do Antigo Testamento, evocando a figura do profeta Balaão que “não pertencia ao povo da promessa, mas deixou-se tocar pelo Espírito. E viu. Viu um povo acampado, ordenado, cheio de vida. Viu tendas habitadas pela esperança.”
Para D. Sérgio Dinis, este olhar que reconhece a ação de Deus lembra que “por vezes, quem vem de fora reconhece mais depressa a presença de Deus do que aqueles que julgavam conhecê-Lo bem”, porque Deus continua a surpreender e a esperança não se deixa aprisionar.
A estrela anunciada por Balaão foi identificada claramente com Cristo: “Esta estrela anunciada não é uma imagem vaga. Tem um rosto. Tem um nome. É Jesus Cristo, a Estrela da manhã, a Luz verdadeira que vem ao mundo.” Contudo, frisou, Deus escolhe um caminho humilde e silencioso, passando por Maria. “Maria não discute autoridade. Não exige sinais. Não pede garantias. Escuta. Acolhe. Guarda no coração.” Enquanto Balaão contempla a estrela ao longe, “Maria traz essa Estrela dentro de si”, oferecendo ao mundo o próprio Salvador.
Referindo-se ao Evangelho, D. Sérgio Dinis salientou o contraste entre aqueles que questionam Jesus por medo de perder o controlo e a atitude confiante de Maria: “Maria não se fecha. Abre-se. Diz apenas: ‘Faça-se’. E nesse ‘sim’ humilde, o céu toca a terra e a história muda de rumo.” O Advento, afirmou, é tempo de decisão interior, que interpela cada crente sobre o tipo de coração que deseja ter.
Dirigindo-se de modo particular aos militares e às forças de segurança presentes, o bispo do Ordinariato Castrense sublinhou a atualidade da mensagem: “Vigiar, servir, proteger a vida dos outros são verbos bem conhecidos por quem assume esta missão.” E acrescentou que Maria ensina que “a verdadeira força está em guardar a vida, em preparar a paz, em oferecer ao mundo Aquele que é o Príncipe da Paz.”
No final, D. Sérgio Dinis convidou todos a confiar-se à Senhora do Parto e a viver a fé com simplicidade e fidelidade quotidiana: “Mesmo quando ainda é noite, mesmo quando o caminho parece longo, a Estrela já nasceu.” A celebração terminou com uma mensagem de esperança dirigida a todos os presentes: “A todos, um santo e Feliz Natal. Boas Festas.”
Depois de um medleyde Natal da Banda Militar e da bênção final, a celebração terminou, uma vez mais, com o célebre canto: Virgem do Parto, Ó Maria / Senhora da Conceição / Dai-nos as festas felizes / A paz e a salvação.
À música e às vozes juntaram-se as não menos tradicionais campainhas, que até então tinham permanecido caladas, seguindo-se, por fim, o habitual convívio.
Veja o vídeo em: https://youtu.be/Y0F5mg9iv7g.





























