Bispo do Ordinariato Castrense está de visita à Madeira: D. Sérgio Dinis alerta para necessidade de sensibilizar a população para reforço de militares

Foto: Duarte Gomes

O Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança, D. Sérgio Dinis, defendeu esta segunda-feira a importância de sensibilizar a sociedade portuguesa para a necessidade de reforçar os efetivos militares e de segurança, sublinhando que o atual contexto internacional exige maior realismo e consciência coletiva. Aliás,Portugal precisa de mais oito mil militares para atingir o objetivo legal de um efetivo de 32 mil nas Forças Armadas, prevendo-se até 36 mil nos próximos 20 anos, e está carente de defesas antiaéreas.

As declarações de D. Dinis foram prestadas ao Jornal da Madeira antes de o prelado marcar presença na Missa do Parto da Nazaré, dedicada aos militares e às forças de segurança, integrada na sua visita pastoral à Região Autónoma da Madeira.

Questionado sobre o motivo da deslocação, D. Sérgio Dinis explicou que a visita se insere plenamente na sua missão pastoral: “Antes de mais, como Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança, venho como pastor visitar aqueles que aqui servem o país, na proteção da nossa soberania e na garantia da nossa segurança”. Acrescentou que esta presença visa acompanhar “todos aqueles militares que estão no Comando Operacional da Madeira e também os polícias, os guardas que aqui servem Portugal”.

Segundo o prelado, trata-se de uma missão que desenvolve um pouco por todo o país, fazendo questão de incluir a Madeira, sobretudo nesta quadra pré-natalícia. “Insere-se esta visita nesta quadra, incluindo-se esta Missa do Parto, que aqui na paróquia da Nazaré tem a particularidade de ser dedicada e dinamizada liturgicamente pelos militares”, explicou, apontando esta como a principal razão da sua presença.

Confrontado com a falta de efetivos nas Forças Armadas e de Segurança, D. Sérgio Dinis foi claro ao afirmar que o momento atual exige respostas concretas. “Vivemos momentos conturbados, politicamente, não só a nível global, mas sobretudo na Europa, que é o espaço onde nos devemos preocupar mais diretamente”, afirmou, acrescentando que face a este cenário “é preciso dar uma resposta”.

Essa resposta, defendeu, passa também por uma capacidade dissuasora credível. “É preciso mostrar algum poder musculado para a dissuasão daqueles que podem vir a ser uma ameaça”, disse, sublinhando que isso implica “recrutar mais meios, meios materiais, mas também meios humanos”.

Reconhecendo que pode parecer paradoxal ouvir esta posição por parte da Igreja, D. Sérgio Dinis esclareceu: “A Igreja defende a paz e o diálogo, mas concordamos que é preciso reforçar os meios, não para fazer a guerra, mas para defender a paz”. 

Para o Bispo do Ordinariato Castrense, “muitas vezes o recurso à força torna-se uma obrigação moral”, sobretudo quando está em causa “defender o outro que é mais frágil, defender quem está a ser esmagado”.

Foto: Duarte Gomes

O prelado frisou ainda que não se trata de “armas pelas armas” ou de “guerra pela guerra”, mas de uma urgência em “defendermos a nossa soberania e protegermos aqueles que vivem connosco das ameaças que possam surgir”.

Relativamente ao estado de espírito dos militares no ativo, D. Sérgio Dinis considerou que quem está a servir tem, em geral, “uma consciência mais clara das ameaças reais”. No entanto, deixou um alerta à sociedade civil: “Sem qualquer pânico, mas com realismo, a nossa sociedade deveria tomar outra consciência do perigo que estamos a atravessar”.

Na sua perspetiva, o facto de Portugal se situar “na parte mais ocidental da Europa” cria uma falsa sensação de segurança. “Temos algum descanso, achando que isso está muito longe, mas a verdade é que estamos um bocadinho com as costas desprotegidas”, advertiu, defendendo uma mudança de mentalidade e uma maior perceção da realidade.

Sobre a forma de sensibilizar a população, D. Sérgio Dinis apontou o debate público como essencial. Questionado sobre um eventual regresso do serviço militar obrigatório, considerou que essa solução só deveria ser equacionada “numa situação extrema”. “Esperemos que não seja necessário”, afirmou, lembrando que a preparação de militares “não se faz de um dia para o outro”.

“Este discurso tem que ser feito na sociedade, este debate tem que ocorrer”, concluiu o bispo das Forças Armadas e de Segurança, deixando um apelo direto: “Não podemos meter a cabeça debaixo da areia”.