Comprar uma escadinha tradicional foi o que nos levou até à garagem de Martinho Gomes, no Caminho do Pilar, 59. Porém, conversa puxa conversa, ficamos a saber que este senhor possui uma coleção de mais de 300 Pais Natais.
Ao entrar na casa, é impossível não sentir que se atravessa um limiar para um mundo próprio. Não é apenas decoração natalícia: é um universo construído peça a peça, memória a memória, ano após ano.
“Isto começou devagarinho”, conta-nos o colecionador de 78 anos, enquanto aponta para um dos primeiros bonecos colocados à entrada da porta. Martinho lembra-se com precisão o momento em que tudo começou, tinha então 37.
Mas a paixão de Martinho não vive sozinha. A esposa mantém outra tradição: coleciona Meninos Jesus. “Essa parte é dela”, explica Martinho enquanto nos mostra um espaço repleto de pequenas imagens cuidadosamente dispostas.
A partir de 2 de novembro, a garagem abre portas. Há madeira empilhada, ferramentas alinhadas com precisão e um ambiente de trabalho sossegado.
“As escadinhas são todas feitas aqui. E estas casinhas também. Demoro um dia a fazer uma [casa] de tamanho normal, forrada a palha ou com ripinhas de madeira. “É tudo feito à mão, com serras, pregos e martelo”.
Martinho, sereno, resume tudo numa só frase: “Enquanto eu puder, o Natal vai viver nesta casa.” De resto, “aqui é a casa do Pai Natal”, diz, repetindo uma das frases que tem escritas num conjunto de letreiros no quintal.
E olhando para a sua casa — para os Pais Natais, os Meninos Jesus, as escadinhas, as luzes — percebemos que ali o Natal é mais do que uma festa: é uma forma de vida.


















