A guerra é uma derrota da humanidade. Todos os animais fazem guerra uns com os outros: querem dominar, alimentar-se, reproduzir-se. Para isso, se for necessário, matam, ferem, ocupa um território alheio. É a lei do mais forte, a lei da selva que se impõe. Não há compaixão, amor, diálogo. Apenas sobrevivência e domínio sobre os outros, se possível.
Os seres humanos, no entanto, erguem-se no seio da criação pelo facto de terem conseguido ultrapassar esses meios de vida e de sobrevivência. O que nos caracteriza é a capacidade de construir maravilhas através do pensamento, da colaboração, do diálogo.
Abandonar aquilo que nos caracteriza para seguir a lei do mais forte, a lei da selva, significa sempre esquecer o que somos e o que podemos ser. É por isso que a guerra, qualquer que ela seja, nos deve sempre envergonhar. Ela não deve apenas envergonhar aqueles que a provocam, mas toda a humanidade, todos e cada um de nós.
Este parece — Deus queira que não! — mais um Natal marcado pela guerra, em particular pela guerra na Ucrânia, nesta nossa Europa. Uma guerra entre povos que se dizem cristãos e que se preparam para celebrar o nascimento, há 2025 anos, do Príncipe da Paz.
Rezamos para que este conflito tenho um fim. Para que, finalmente, as armas ruidosas deem lugar ao diálogo e ao bom senso. Mas, até lá, não podemos todos deixar de nos sentir envergonhados.





















