Jornada Diocesana do Apostolado dos Leigos destaca comunhão, participação e missão dos cristãos no mundo

Foto: Duarte Gomes

A Jornada Diocesana do Apostolado dos Leigos decorreu ontem, dia 29 de novembro, no Colégio de Santa Teresinha, num encontro marcado por grande participação e profunda reflexão sobre o papel dos leigos na vida da Igreja. 

A sessão de abertura contou com a presença do Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, que saudou os participantes sublinhando que “é sempre uma ocasião especial este encontro”. 

Recordou que a jornada é “uma jornada de formação do nosso laicado” e que regressar ao formato de dia inteiro “era um pedido de muitas pessoas”, acrescentando: “espero que seja, de facto, uma jornada em que as pessoas cresçam na fé, cresçam na compreensão da fé e na vivência da fé também.”

D. Nuno agradeceu às Irmãs Vitorianas pela hospitalidade e a todos os presentes, afirmando: “Sermos muitos ou sermos poucos faz toda a diferença… é importante estarmos e partilharmos aquilo que é a nossa vida.” 

Na sua intervenção citou ainda Bento XVI, referindo a célebre passagem da encíclica “Deus caritas est” que diz que “no início do ser cristão não está uma grande ideia ou uma decisão ética, mas o encontro com uma pessoa que dá à vida um novo sentido e um novo horizonte.” 

Reforçou ainda que Jesus Cristo vem ao nosso encontro”, muitas vezes quando ainda estamos “na barriga da mãe”, e que esse encontro pessoal é o fundamento do testemunho cristão.

Dar nome aos anseios

O orador convidado da jornada foi o teólogo António Pedro Barreiro, que desenvolveu o tema “Igreja, comunhão e participação”. 

Ainda antes do encontro começar, questionado pelos jornalistas sobre o desafio de despertar corações que o próprio disse ao Jornal da Madeira estarem “anestesiados por distrações e barulho”, afirmou que“temos que começar por ajudar as pessoas a fazer perguntas… a dar nome aos anseios que têm e que muitas vezes se esqueceram que têm.” 

Sublinhou,a propósito, que muitos vivem “com tantas distrações, com tanto barulho”, que deixaram de colocar as questões essenciais: “o sentido da vida, a origem das coisas, a relação com Deus e o propósito pelo qual estamos aqui.”

O teólogo destacou a vocação do leigo no mundo: “Quando digo que um leigo é muito mais do que um não-padre, quero dizer que também para os leigos há uma vocação específica.” 

Retomando o ensinamento do Concílio Vaticano II, lembrou que “existe uma vocação universal à santidade… cada um é santo nas circunstâncias específicas da sua vida.” Da família à política, da cultura às escolas, “há sítios onde os padres não chegam e onde só os leigos podem testemunhar Cristo.”

Na sua conferência, António Pedro Barreiro explorou de forma ampla a dimensão eclesial da comunhão, partindo da Eucaristia. “Jesus entrega-nos o seu corpo… e isso continua a ser verdade hoje em cada missa”, lembrou, para logo sublinhar a força da palavra comunhão: “A palavra que usamos para estar em comunhão uns com os outros é a mesma que usamos para este acto de tomar o corpo de Cristo. Isto é muito significativo.” Explicou ainda que a comunhão cristã não é apenas humana, mas uma participação na vida de Cristo.”

Desafiou os participantes a viverem essa comunhão mesmo nas relações difíceis: “Quando digo que aceito que o corpo de Cristo entre em mim, estou a dizer que quero ter uma comunhão com aquela pessoa igual à que Cristo tem com ela… olhar para cada pessoa como Jesus a vê.”

Recordou que a Igreja é simultaneamente unidade e diversidade, corpo e comunidade, povo e indivíduos únicos. Por outras palavras, “Jesus conhece cada um pelo nome… mas quando se entrega, diz ‘Tomai todos’. Fala a um povo, a uma Igreja.” 

Explicou que certos bens – como a alegria partilhada, a vida comunitária ou a fé – “só existem quando são vividos em conjunto”, e que por isso “não dá para escolher entre Jesus e a Igreja… Jesus chega até nós através da Igreja.”

O orador insistiu também no valor insubstituível de cada baptizado, vincando que “na Igreja, todos somos substituíveis… mas todos somos indispensáveis.” Cada testemunho, sustentou, é único: “O testemunho que eu dou ninguém pode dar por mim, e o testemunho que cada um de vocês dá ninguém pode dar.”

A jornada prolongou-se com momentos de partilha, reflexão e comunhão fraterna, reunindo leigos de diversas comunidades, com o Bispo do Funchal a sublinhar “o bom que é vivermos este dia animados uns com os outros, percebendo a presença de Jesus Cristo no meio de nós.”

O encontro encerrou com agradecimentos e com o desejo comum de que a missão dos leigos continue a crescer, enraizada na comunhão e sustentada pelo encontro vivo com Cristo.