O coro na liturgia

Foto: Duarte Gomes (arquivo)

Há um serviço paciente, nem sempre reconhecido, mas absolutamente essencial para a vida litúrgica das paróquias: o coro. Domingo após domingo, as suas vozes ajudam o Povo de Deus a rezar através do canto. Em muitas comunidades, a sua presença tornou-se um hábito; contudo, por detrás de cada cântico há tempo oferecido, ensaios e muita dedicação.

No Jubileu dos Coros, em Roma, no Dia de Cristo Rei, o Papa Leão XIV recordou as palavras de Santo Agostinho: “o canto é próprio de quem ama”. Na liturgia, não se canta apenas porque “fica bonito”, mas porque há um amor que precisa de voz: amor a Deus, à comunidade e ao Povo de Deus em caminho, que encontra na música um modo de expressar aquilo que as palavras, sozinhas, não conseguem dizer.

Por isso, o Papa sublinhou que o serviço dos coros é um verdadeiro ministério, que “exige preparação, fidelidade, compreensão mútua e, acima de tudo, uma vida espiritual profunda”, para que quem reza cantando ajude todos a rezar. Um coro verdadeiramente litúrgico não substitui a voz do povo, mas desperta-a; não canta “por todos”, mas ajuda “todos” a cantar.

O coro é também um símbolo da própria Igreja. As diferentes vozes, quando se deixam trabalhar e harmonizar, dão vida a “um único louvor”, imagem da sinodalidade: caminhar juntos, diferentes, mas em comunhão.

Neste suplemento “Pedras Vivas”, já tivemos a oportunidade de dar a conhecer vários coros da Diocese. Descobrimos rostos, histórias e uma riqueza escondida que merece ser apoiada, formada e integrada na vida pastoral. Daí que um Jubileu dos Coros na nossa Diocese seria uma excelente ocasião para agradecer este serviço e para incentivar novos membros, sobretudo entre os mais jovens. Nesse caminho, destaca-se a recém-criada Escola Diocesana de Música Sacra.

Santa Cecília lembra-nos que a música, na Igreja, é sempre mais do que arte: é testemunho. Cada coro paroquial é chamado a transformar cada cântico num ato de amor oferecido a Deus e ao Seu povo.

Que nunca falte, na nossa Igreja diocesana, quem ajude o Povo de Deus a entrar, cantando, na alegria da casa do Senhor, como nos lembra o salmo deste primeiro domingo do Advento.