A hora de despertar

D.R.

A sonolência é quando não somos capazes de distinguir a realidade, quando não sabemos perceber a verdade do que está à nossa volta e a verdade acerca de nós próprios. É nesse estado que muitos vivem neste nosso mundo: parecem acordados mas, de facto, vivem num tal adormecimento que têm dificuldade em reagir ao que quer que seja.

Este ano, o Advento começa com o apelo de São Paulo: “Chegou a hora de despertar do sono” (Rom 13,11). O Apóstolo não estava, certamente, a referir-se àqueles que tivessem adormecido a ouvir a leitura da sua Carta. O adormecimento é outro — e esse conhecemo-lo bem.

É o adormecimento de quem vive como sempre viveu e como todos vivem.  O adormecimento de quem se comporta e vive segundo as modas e o mundo. É o adormecimento de quem acha que não se pode fazer mais e melhor. É o adormecimento de quem já desistiu de si e dos outros. A todos esses, S. Paulo reafirma: “a salvação está mais próxima”, não temos razões para nos deixarmos adormecer.

Pode parecer estranho que neste tempo de músicas, alegrias, entusiasmos, nos seja apresentado o convite a despertar. Mas o facto é que nos pode acontecer que todas as luzes, músicas e presentes, e até toda a boa-vontade natalícia, tudo isso não passe de “sonolência” — essa sonolência interior de quem se deixa levar, mais que ser protagonista da história e dos acontecimentos.

De verdade, é tempo para despertar. Para escutar a proximidade do Senhor e pormos os pés ao caminho