CNJP: “Cuidar da criação é expressão do mandamento do amor”

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) divulgou uma nota nesta quarta-feira, 26 de novembro, na qual analisa os resultados da COP 30, realizada em Belém do Pará. O organismo considera que o encontro mundial sobre o clima trouxe “interpelações renovadas”, tanto pelo que foi possível concretizar, como pelos objetivos que ficaram por atingir. “No que ficou expresso no documento final e naquilo que se omitiu devemos encontrar inspiração renovada para proteger a casa comum e garantir a dignidade dos mais vulneráveis”, pode ler-se no texto.

A CNJP recorda ainda as palavras recentes do Papa Leão XIV, proferidas na Audiência Geral de 19 de novembro: “Irmãos e irmãs, se não formos guardiães do jardim da criação, acabaremos por nos tornar seus destruidores. Invoquemos o Espírito para que nos ajude a cuidar, com a mesma fé, da nossa casa comum e do nosso coração.” Para a Comissão, estas palavras devem ecoar “no coração de todos os cristãos e de todos aqueles que se preocupam com o nosso futuro comum”, sublinhando que o cuidado da casa comum é inseparável do cuidado da vida humana, especialmente dos mais frágeis.

Ao refletir sobre os desafios que persistem, a CNJP reforça que o compromisso ecológico “tem de ser uma urgência no modo como edificamos as nossas sociedades”. Nesse sentido, o organismo deixa vários apelos concretos: “À adoção de estilos de vida mais sóbrios e solidários, com ações concretas para a redução do desperdício e do consumo”; à criação de “ecocomunidades cristãs, paróquias, escolas, movimentos que sejam capazes de combinar a oração e a ação”; e ao desenvolvimento de “políticas públicas justas e equilibradas, priorizando o apoio aos mais vulneráveis”.

A Comissão sublinha que “cuidar da criação é expressão do mandamento do amor”, defendendo que a proteção ambiental é também defesa da vida, sobretudo das comunidades mais expostas aos impactos climáticos. Por isso, afirma que “a justiça climática é inseparável da justiça social”, apontando para a necessidade de um compromisso global que una responsabilidade ecológica e atenção aos que mais sofrem.

Concluindo a nota, a CNJP afirma que o período pós-COP 30 exige um renovado dinamismo na ação social, comunitária e política. “Neste tempo que se segue à COP 30 somos convidados a abrir, com urgência, um novo ciclo de ação, assumindo cada um as suas responsabilidades ao nível do cuidado de toda a criação, da edificação da paz e da promoção do bem comum”, refere o texto.