Não queremos outro Senhor

D.R.

Habitualmente, achamos que Jesus nos pertence. Vivemos como se o pudéssemos adaptar aos nossos pensamentos, aos nossos gostos, ao nosso modo de viver. Somos aquilo que alguém qualificou de “cristãos moderados”… Pensamos que Jesus é nosso e que, por isso, podemos fazer com Ele o que quisermos; podemos tratá-lo quase como um objecto — vá lá: como uma ideia, mas sempre “adaptável” ao nosso pensamento.

Só que o cristianismo consiste na atitude precisamente contrária: somos nós que pertencemos a Cristo. Somos baptizados em seu nome (melhor: em nome da Santíssima Trindade). A partir desse momento, passámos a ser seus, e queremos, cada vez mais, ser ainda mais seus: deixar que, em cada dia, Ele molde o nosso modo de viver, os nossos sentimentos, a nossa vontade, a forma como estamos diante da realidade e do nosso próprio eu interior. Ele é, de verdade, o “nosso Senhor”.

E isso, longe de nos fazer escravos — e conhecemos tantos casos de quem é escravo de um outro ser humano ou até de si mesmo (para já não falar dos que são escravos dos seus vícios ou dos seus pensamentos, ou mesmo dos seus animais) — longe de nos fazer escravos, torna-nos mais humanos e, ao mesmo tempo, mais divinos, mais semelhantes a Ele. Como o próprio Jesus afirmou: “Já não vos chamo servos mas amigos” (Jo 15,15). 

Pertencemos ao Senhor. Como é grande a alegria de sermos seus! Sabemos que Ele cuida dos seus (Lc 21,18: “Nenhum fio de cabelo da vossa cabeça se perderá) e, por isso, sabemos que Ele cuida de nós, de cada um e de todos. Sim: Jesus é o nosso Rei, e não queremos outro Senhor sobre a terra. Nele, encontramos a verdadeira liberdade.