Ser cristão: uma responsabilidade

D.R.

Ser cristão é, antes de mais, uma graça. Ser cristão, viver em Cristo, não é algo que possamos conquistar, merecer. É um modo de ser que nos é dado no baptismo: não apenas somos amados por Deus enquanto suas criaturas, como trazemos em nós, sempre, a vida do próprio Filho de Deus — somos filhos de Deus no seu único Filho.

E isso traz-nos uma alegria muito grande: é um título de salvação, um modo de ser e de viver que nos faz encontrar aquilo que procuramos, que responde às nossas inquietações, que é para nós garantia de vida eterna.

Mas ser cristão é, também, uma responsabilidade. Nós que somos e vivemos como filhos de Deus somos também responsáveis pelos outros que ainda não conhecem o Senhor, e somos responsáveis (e muito) pela sociedade em que vivemos. A missão que o Senhor Jesus deu aos seus discípulos de ir pelo mundo fora significa, igualmente, a necessidade de sairmos de nós, do nosso conforto, do nosso bem-estar interior e exterior para nos inquietarmos com a salvação do próximo e de todos.

É também esta responsabilidade que nos faz construtores de comunhão. Não ignoramos a verdade nem a escondemos. Sabemos que a Verdade é uma Pessoa, Jesus — que é, igualmente, o Caminho e a Vida. Mas, precisamente, é na Verdade que todos nós, seres humanos, nos havemos de encontrar. Jesus disse: “A quem muito foi dado, muito será exigido” (Lc 12,48). A nós foi dado muito. Muito nos é exigido.