O Evangelho na era digital

Cristina Aguilar apela à formação de missionários digitais

Durante a sua passagem pelo Funchal, Cristina Sánchez Aguilar, diretora do semanário católico espanhol “Alfa y Omega”, refletiu sobre os desafios da comunicação na Igreja, sublinhando a necessidade de “formar missionários digitais” em vez de improvisar evangelizadores nas redes sociais. “As redes podem ser mais perigosas do que positivas para a Igreja. É muito difícil permanecer nelas sem que a própria pessoa se coloque à frente da mensagem”, advertiu, lembrando que comunicar a fé exige acompanhamento e discernimento.

A jornalista alertou para o risco de transformar a evangelização em espetáculo. “Não podemos tratar os jovens como se fossem ingénuos. É legítimo que exista um primeiro anúncio, mas esse anúncio não tem de ser sempre feito por um padre que dança”, afirmou. Para Cristina Sánchez, a autenticidade é mais necessária do que a visibilidade: comunicar não é exibir-se, é servir a verdade. Também a polarização digital preocupa a comunicadora, que observa “extremismos nos dois lados”, entre quem “proclama normas rígidas” e quem “só oferece alegria e danças, como se bastasse dizer ‘Deus é bom porque estou feliz’”.

Defensora convicta da imprensa em papel, Cristina Sánchez considera que a leitura impressa continua a ter uma função educativa insubstituível. “Na Internet não se lê nem se escreve da mesma forma. Se perdermos o hábito da leitura em papel, perdemos também capacidade de expressão e de pensamento”, explicou, sublinhando que “os meios de comunicação educam e a Igreja não pode deixar isso morrer”.

A diretora de Alfa y Omega conclui com um apelo à coragem na comunicação eclesial. “Temos de ser valentes e não ter medo das críticas”, disse, lembrando que “o Evangelho não é medo nem comodidade”.


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