Eucaristia na Sé do Funchal encerra Encontro Ibérico de Comunicação da Igreja

Foto: Duarte Gomes

A Sé do Funchal acolheu, esta terça-feira, a Eucaristia que marcou o encerramento do Encontro Ibérico das Comissões Episcopais para a Comunicação Social de Portugal e Espanha. A celebração foi presidida pelo Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, e concelebrada pelos restantes bispos das duas conferências episcopais que participaram nos trabalhos.

Na abertura da celebração, D. Nuno Brás saudou os prelados presentes e sublinhou o significado da comunhão entre as duas Igrejas nacionais: “Temos hoje, de uma forma muito particular e visivelmente, esta Igreja Católica, Igreja que está espalhada pelo mundo.” O bispo fez ainda votos para que o encontro dê frutos, pedindo que a Igreja continue a saber “estar presente no mundo da comunicação”.

Na homilia, o bispo do Funchal centrou-se na essência da fé cristã: o amor. Recordando o Evangelho do dia, afirmou que “ser cristão é amar Jesus sobre todas as coisas”, deixando que esse amor ilumine toda a vida. “Muito antes de nós amarmos a Deus, Deus nos amou. O nosso amor é resposta ao amor que Deus nos tem”, vincou.

O prelado relacionou ainda a vivência cristã com o desafio da comunicação, uma vez que comunicar implica partilha e transparência: “Quando nos comunicamos, abrimos a nossa intimidade — dizemos aquilo que pensamos, aquilo que vivemos e sentimos. Tornamos o que é nosso, comum.”

A partir desta reflexão, desafio e inspiração, D. Nuno Brás lembrou que a comunicação da Igreja deve sempre nascer do amor de Deus e conduzir a esse mesmo amor não podendo “deixar de ser verdadeira” e de encontrar sempre “a sua fonte neste amor que é Deus.”

A celebração eucarística foi também momento de ação de graças pelo caminho percorrido durante o encontro, que reuniu as equipas episcopais de comunicação de Portugal e Espanha ao longo de vários dias no Funchal. Os participantes refletiram sobre os desafios atuais da comunicação na Igreja e as exigências de um tempo marcado pela velocidade da informação, pela cultura digital e pela necessidade de testemunho credível.

No final, a assembleia rezou pelos frutos do encontro e pela missão comunicativa da Igreja no mundo de hoje, “para que possa continuar a ser presença de esperança e verdade”.

Após a Eucaristia os participantes no encontro tiveram ainda oportunidade de visitar a Sé do Funchal e apreciar o seu riquíssimo património, nomeadamente os seu recuperados tectos.

Comunicação como missão e caminho

Entretanto, na leitura das conclusões do Encontro Ibérico das Comissões Episcopais de Comunicação Social ocorrida pouco tempo antes da Eucaristia, os bispos D. José Manuel Lorca e D. Nuno Brás sublinharam que comunicar faz parte da própria essência da missão da Igreja.

Destacaram a necessidade de escutar a realidade das pessoas, compreender as mudanças culturais e tecnológicas e assumir uma comunicação mais próxima, humana e capaz de dialogar com o tempo presente.

Como afirmou D. José Manuel Lorca, “o Senhor nos chamou para comunicar a Palavra, mas é preciso saber comunicar”, lembrando que uma comunicação autêntica exige escuta e sensibilidade pastoral para as necessidades concretas das pessoas. “Se não conhecemos o homem e a mulher de hoje, o que lhes vamos dizer?”, questionou, realçando que anunciar Cristo hoje implica atenção às perguntas e feridas do mundo atual e um compromisso com o caminho da esperança.

D. Nuno Brás reforçou o desafio da atualização permanente: “A Igreja tem que deitar mão de todos os meios de comunicação”, incluindo os formatos contemporâneos e digitais, sem abandonar a verdade. Reconheceu o percurso já feito, mas lembrou que “o caminho se faz caminhando”, e que a presença eclesial nos media deve ser cada vez mais coordenada, profissional e enraizada numa comunicação que privilegie a verdade num contexto marcado por fake news e ritmos acelerados de informação.

Ao agradecerem o acolhimento da Diocese do Funchal e a oportunidade de diálogo entre as conferências episcopais de Portugal e Espanha, ambos enfatizaram que a comunicação eclesial é um processo vivo, que se constrói com formação, discernimento e colaboração com os meios de comunicação, sempre com o horizonte da verdade e da esperança.