Igreja: Comunicação mais ágil, clara e próxima das pessoas

Foto: Duarte Gomes

O reforço de uma comunicação mais ágil, clara e próxima das pessoas foi destacado, esta terça-feira, no Encontro Ibérico das Comissões Episcopais de Comunicação Social em que participam responsáveis pelo setor dos media de Portugal e Espanha e que decorre no Seminário Diocesano do Funchal. 

O encontro, que reúne nove bispos dos dois países, debate a necessidade de adaptação da Igreja Católica às novas exigências comunicacionais.

Durante a manhã, os participantes escutaram duas intervenções sobre o tema “A linguagem na comunicação eclesial”, apresentadas por Gil Rosa, subdiretor da RTP Madeira, e Cristina Sánchez, diretora do semanário católico espanhol Alfa y Omega.

Gil Rosa elogiou a “maior abertura para a comunicação social” que identifica atualmente na Diocese do Funchal e sublinhou “a disponibilidade inquestionável” do bispo diocesano, D. Nuno Brás. Ainda assim, considera que a Igreja “culturalmente ainda tende a ser fechada em si mesma”.

“Um caminho a percorrer é essa abertura cada vez maior”, afirmou, defendendo que a Igreja deve “tentar comunicar o melhor possível, não fechar portas, abrir canais e estar sempre disponível para responder”. Recordando tempos em que “quase nem o telefone se atendia”, destacou a importância de canais de comunicação funcionais e da capacidade de resposta.

Já Cristina Sánchez salientou a necessidade de a Igreja adaptar a sua linguagem aos novos tempos, meios e formatos, sobretudo os audiovisuais. “Se falamos para nós mesmos, que já estamos convencidos, não usamos a nossa palavra para chegar mais longe”, afirmou.

A jornalista defendeu uma linguagem “direta, acessível e adaptada” às diferentes idades e públicos, sem perder profundidade. “Não se trata de banalizar a comunicação, mas de adaptar a linguagem. Estamos nesse caminho, mas não podemos parar”, frisou, alertando para a velocidade com que surgem novas formas de comunicar.

Humildade e serviço

Ao início da noite, depois de visitarem vários pontos turísticos da Madeira, os bispos concelebraram uma Eucaristia na Capela dos Milagres, em Machico, presidida por D. José Manuel Lorca bispo de Cartagena e presidente da Comissão Episcopal espanhola.

Na homilia, depois de falar sobre a necessidade e a importância de darmos “glória a Deus e bendizer ao Senhor” durante toda a nossa vida, D. José Manuel Lorca refletiu sobre a leitura da Primeira carta de São Paulo aos Romanos, destacando a necessidade de abrir o coração a Deus e viver com simplicidade e espírito de serviço.

“A primeira leitura que ouvimos, a primeira carta de São Paulo aos Romanos, é preciosa. É uma leitura fantástica, porque nos ajuda a ser bons filhos de Deus, dizendo-nos que primeiro abramos o coração a Deus”, afirmou o prelado, sublinhando que cada fiel é chamado a reconhecer-se como filho amado do Pai.

O bispo destacou que a fé se concretiza sobretudo na relação com quem mais precisa: “Como filhos de Deus vamos fazer as coisas extraordinariamente bem, com os demais, mas especialmente com os mais necessitados.”

Defendeu também uma atitude de humildade e proximidade para com todos: “Que sejamos entre os humildes mais um, colocando-nos ao nível da gente simples. Há alguma atitude melhor do que sentir-se servidor dos demais? Ajudar aqueles que passam dificuldades, estar perto deles, escutá-los e atendê-los.”

Apelando a que esta mensagem seja meditada em profundidade, convidou os fiéis a relerem o texto bíblico ao regressarem às suas casas. “Leiam esta leitura de São Paulo aos Romanos. Será realmente um presente de Deus. Eu, com minhas palavras, o que faço é estragá-lo, mas vocês vão poder apreciar esta palavra que o Senhor lhes dá hoje”, frisou a propósito o bispo de Cartagena.

O prelado concluiu com uma oração e o desejo de que todos os presentes recebam de Deus “a graça de viver sempre ajudando os demais e com uma alegria imensa.”

Entretanto, o Encontro Ibérico das Comissões Episcopais de Comunicação Social prossegue esta quarta-feira, com a apresentação das conclusões às 10h00, em conferência de imprensa, no Seminário Diocesano do Funchal, e a celebração da Missa às 11h00, na Catedral.

Recorde-se que participam neste encontro os bispos D. Nuno Brás (bispo do Funchal e Presidente da Comissão Portuguesa); D. Pio Alves de Sousa (bispo auxiliar emérito do Porto); D. Fernando Paiva (Bispo de Beja); D. Delfim Gomes, (bispo auxiliar de Braga); D. Joaquim Dionísio (bispo auxiliar do Porto); D. José Manuel Lorca (bispo de Cartagena e Presidente da Comissão Espanhola); D. Salvador Giménez Valls (bispo de Lleida); D. Sebastián Taltavull (bispo de Maiorca); e D. Cristóbal Déniz (bispo auxiliar das Canárias).