O aguardado Encontro Ibérico promovido pelas Comissões Episcopais de Comunicação Social de Portugal e Espanha teve a sua abertura oficial na tarde de ontem, na Igreja do Colégio, onde uma celebração eucarística significativa foi presidida por D. Nuno Brás, Bispo do Funchal.
Este evento de grande importância, que reúne bispos e representantes da comunicação eclesial, decorrerá até a próxima quarta-feira, dia 5 de novembro, e abordará o tema “A linguagem na comunicação eclesial”, que visa refletir sobre a forma como a Igreja se comunica com o mundo contemporâneo.
D. Nuno Brás deu início ao encontro destacando a importância da união e do diálogo entre os bispos dos dois países ibéricos. “Com esta celebração, nós damos início a este encontro entre os Bispos de Espanha e de Portugal das Comissões Episcopais para a Comunicação Social. É um encontro anual que se realiza ora em Espanha, ora em Portugal. Este ano, temos a honra de organizar este evento aqui, sob a responsabilidade da Diocese do Funchal”, afirmou o prelado, sublinhando o papel de cada um no fortalecimento da comunicação e da presença da Igreja na sociedade.
Durante a sua homilia, D. Nuno refletiu profundamente sobre a relação histórica do povo de Israel com a vinda do Messias, questionando como, apesar de toda a preparação e orientação divina ao longo dos séculos, muitos não foram capazes de acolher a chegada daquela era esperada. “Como é que este povo, que teve os profetas e o Rei David, não foi capaz de acolher o Messias?”, indagou-o, provocando uma reflexão sobre a capacidade de ouvir e de reconhecer a presença divina em meio às dificuldades da vida.
O bispo continuou a sua reflexão, sublinhando a misericórdia de Deus e a importância de cada um na construção de uma relação mais próxima com o Criador. “O amor de Deus é para todos, e Ele deseja que cada um de nós sinta essa verdade em sua vida. Devemos considerar que, independentemente de nossas falhas, Deus está sempre à nossa procura, oferecendo-nos Seu amor”, disse D. Nuno, encorajando os presentes a se abrirem para essa experiência transformadora.
Além disso, o bispo pediu orações para que os dias do encontro fossem frutíferos e inspiradores para a presença da Igreja no vasto e complexo mundo da comunicação social. “Que podemos comunicar de forma eficaz e ser uma verdadeira presença do Seu amor diante de todos”, concluiu, transmitindo uma mensagem de esperança e solidariedade.
Importância do encontro
Após a eucaristia, os participantes seguiram para uma visita ao Museu de Arte Sacra, onde puderam apreciar o rico patrimônio cultural e espiritual da região.
À margem desta visita tanto D. Nuno Brás, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais de Portugal, como D. José Manuel Lorca, bispo de Cartagena e presidente da Comisión Episcopal para las Comunicaciones Sociales, falaram sobre a relevância este encontro.
Da parte espanhola, foi sublinhado que o encontro é, antes de tudo, um espaço de proximidade e aprendizagem mútua. D. José Manuel Lorca destacou que “um dos temas que vamos abordar é o da linguagem da comunicação”, reconhecendo que, muitas vezes, “utilizamos palavras que para nós são absolutamente conhecidas, mas não chegam às pessoas”. Por isso, o objetivo é garantir que a linguagem e os meios da Igreja sejam “o mais acessíveis também às pessoas sejam fieis ou não”.
O bispo de Cartagena acrescentou ainda a importância de olhar para as novas tecnologias e a inteligência artificial, afirmando que “estão todos os temas da inteligência artificial e de meios que utilizam também o ChatGPT”, e que o encontro é uma oportunidade para aprender com especialistas: “será para nós uma oportunidade maravilhosa para poder aprender”.
Já o bispo do Funchal sublinhou a dimensão fraterna do encontro, explicando que se trata, antes de mais, de “conhecimento mútuo entre os bispos, de partilha de boas práticas”. Recordou experiências anteriores, como “a rádio, a COP, a Ornacença”, mostrando como esse intercâmbio enriquece a missão da Igreja.
O bispo madeirense destacou ainda a reflexão sobre a comunicação e a linguagem da fé: “como é que a fé se pode expressar melhor neste mundo da comunicação é sempre um desafio muito grande”, admitindo que “não vamos descobrir a pólvora, mas vamos ficar mais ricos com esta reflexão”.
As redes sociais também são tema central: “são uma realidade incontornável… como é que a fé se vai meter por aí?” — questionou, reconhecendo que existem “muitas tentativas, umas melhores que outras”, mas reforçando que “não vamos desistir”.
Por fim, o D. Nuno Brás destacou a dimensão espiritual da comunicação, afirmando que “a comunicação é sempre uma coisa sagrada… porque nos torna muito semelhantes a Deus”, ao criar comunhão. Ainda assim, alerta para os riscos: “o problema é quando a comunicação deixa de ser um momento do comum para passar a ser um domínio”.
O programa do encontro prossegue amanhã, terça-feira, com uma conferência no Seminário do Funchal,em que serão intervenientes os jornalistas Gil Rosa, subdiretor da RTP Madeira, e Cristina Sánchez, diretora da publicação católica espanhola Alfa y Omega. O objetivo é promover a reflexão conjunta sobre projetos, desafios atuais e linhas de orientação propostas pelo Papa para o setor da comunicação.
Os participantes visitarão depois vários pontos da ilha, terminando o dia com uma Eucaristia na Capela do Senhor dos Milagres, em Machico.



























