O Papa Leão XIV inscreveu São John Henry Newman entre os Doutores da Igreja e nomeou-o co-padroeiro, com Santo Tomás de Aquino, de todos os que participam no processo educativo. A proclamação teve lugar no sábado, 1 de novembro, durante a Missa da Solenidade de Todos os Santos, celebrada na Praça de São Pedro, por ocasião do Jubileu do Mundo Educativo.
Na sua homilia, o Santo Padre afirmou que “a imponente estatura cultural e espiritual de Newman servirá de inspiração para as novas gerações com o coração sedento de infinito, disponíveis a realizar, através da pesquisa e do conhecimento, aquela viagem que, como diziam os antigos, nos faz passar per aspera ad astra, ou seja, através das asperezas até aos astros”.
O Papa sublinhou que a vida dos santos mostra ser possível “viver com paixão no meio da complexidade do tempo presente, sem deixar de lado o mandato apostólico: brilhar como astros no mundo”. Dirigindo-se especialmente a professores e estudantes, convidou: “Brilhai hoje como astros no mundo, graças à autenticidade do vosso empenho na busca conjunta da verdade e na sua partilha coerente e generosa, através do serviço aos jovens, em particular aos pobres”.
Referindo-se ao Jubileu do Mundo Educativo, Leão XIV destacou que “o Jubileu é uma peregrinação na esperança e todos vós, no vasto campo da educação, sabeis bem o quanto a esperança é uma semente indispensável! Quando penso nas escolas e nas universidades, penso nelas como laboratórios de profecia, onde a esperança é vivida e continuamente narrada e reproposta”.
Meditando sobre o Evangelho das Bem-aventuranças, o Papa lembrou que “elas trazem consigo uma nova interpretação da realidade. São o caminho e a mensagem de Jesus educador”. Acrescentou que “as Bem-aventuranças não são um ensinamento entre tantos: são o ensinamento por excelência. Da mesma forma, o Senhor Jesus não é um entre tantos mestres, é o Mestre por excelência. Mais ainda, é o Educador por excelência”.
O Pontífice advertiu contra o desânimo e o pessimismo, lembrando as palavras de Francisco sobre o perigo do niilismo: “Devemos trabalhar juntos para libertar a humanidade da escuridão do niilismo que a rodeia e que é, talvez, a doença mais perigosa da cultura contemporânea, pois ameaça ‘anular’ a esperança”. E acrescentou: “Não permitamos que o pessimismo nos vença!”.
Inspirando-se no conhecido hino de Newman Lead, kindly Light (Luz terna, suave, leva-me mais longe), o Papa afirmou que “é tarefa da educação oferecer esta Luz Terna àqueles que, de outra forma, poderiam permanecer aprisionados pelas particularmente insidiosas sombras do pessimismo e do medo”. Por isso, apelou: “Desarmemos as falsas razões da resignação e da impotência e façamos circular no mundo contemporâneo as grandes razões da esperança”.
Ao refletir sobre a vocação pessoal de cada ser humano, Leão XIV citou o novo Doutor da Igreja: “Deus criou-me para lhe prestar um serviço específico. Confiou-me uma tarefa que não confiou a outros. Tenho uma missão: talvez não a chegue a conhecer nesta vida, mas ela ser-me-á revelada na vida futura”. A partir desta frase, explicou que “a vida ilumina-se quando uma pessoa descobre dentro de si esta verdade: sou chamado por Deus, tenho uma vocação, tenho uma missão, a minha vida serve para algo maior que eu próprio”.
“O contributo que cada um tem para oferecer é de um valor único”, acrescentou, pedindo que “no centro dos percursos educativos não estejam indivíduos abstratos, mas pessoas de carne e osso, especialmente aquelas que parecem não render, segundo os parâmetros de uma economia que exclui e mata”.
Para o Papa Leão XIV, “a educação, na perspetiva cristã, ajuda todos a tornarem-se santos. Nada menos do que isso”. E concluiu com uma oração: “Rezo para que a educação católica ajude cada um a descobrir a sua vocação à santidade. Santo Agostinho, que São John Henry Newman tanto apreciava, disse uma vez que todos nós somos companheiros de estudo com um único Mestre, cuja escola se encontra na terra, mas cuja cátedra está no céu”.



















