Ambiciosos

D.R.

Normalmente, classificamos co-mo “ambicioso” aquele que deseja ter mais que aquilo que lhe é devido, aquele que quer ter tudo quanto lhe é possível; que quer vencer tudo; que não é capaz de se contentar com aquilo que tem e que lhe coube.

Por isso, a ambição é, habitualmente, um pecado — um pecado comum a muitos, neste nosso mundo em que o ter e o parecer, o dominar, são os grandes objetivos que a humanidade se propôs a si mesma: ambiciosos na empresa, nos negócios, no desporto…

Claro que é bem diferente querer ganhar tudo a todo custo, passando por cima dos outros, e aquela outra atitude de quem deseja ir sempre mais longe. Aquele forte desejo de alcançar objectivos através do trabalho árduo e determinação.

E, neste último sentido, temos que o reconhecer, nós os cristãos somos os mais ambiciosos de todos os seres humanos. Porque se é verdade que não nos contentamos (nem assumimos como nosso objectivo de vida) ter riquezas materiais, poder ou fama, é ainda mais certo que apenas a santidade é o nosso limite.

Sim: a santidade — quer dizer: partilhar a vida de Deus, contemplá-lo face a face, para sempre. Isso sim, é felicidade que não consegue ser ultrapassada, nem desaparece. E, mais ainda, é felicidade oferecida por Deus, gratuitamente. Só nos é pedida disponibilidade para nos deixarmos transformar, modelar pelo próprio Deus.

Pobre daquele que se contenta com os bens deste nosso mundo, mesmo que sejam muitos: ainda não descobriu como é bom ser santo!