Festa Litúrgica do Beato Carlos de Áustria celebrada na Igreja do Monte com Eucaristia presidida por D. Nuno Brás

Foto: Duarte Gomes

A comunidade paroquial sobretudo do Monte reuniu-se esta terça-feira, 21 de outubro, na Igreja de Nossa Senhora do Monte, para celebrar a Festa Litúrgica do Beato Carlos de Áustria, com uma Eucaristia solene presidida por D. Nuno Brás, bispo do Funchal. A data assinala também os 114 anos do matrimónio entre o Beato Carlos e a Imperatriz Zita, ocorrido a 21 de outubro de 1911 — motivo que inspira a escolha deste dia para a celebração.

No início da celebração, D. Nuno Brás destacou que os santos “são, em primeiro lugar, motivo para darmos glória a Deus”, recordando que “ao olharmos para a vida dos santos, damos glória a Deus que se mostrou grande na sua vida e lhes deu força”. O prelado sublinhou ainda que “os santos são exemplo de vida cristã e de virtudes humanas” e que “intercedem por nós junto do Pai”.

O bispo do Funchal referiu-se ainda e de modo especial à presença do Seminário Diocesano, saudando “de forma muito particular” os seminaristas que participaram nesta celebração, “neste dia tão especial para a nossa diocese e para a nossa adolescência”.

“Edificar a vida sobre a rocha que é Cristo”

Na homilia, inspirado no Evangelho do dia, D. Nuno Brás comparou a vida do Beato Carlos à parábola do homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. “A rocha é a Palavra de Deus. A rocha é Jesus Cristo. Edificar sobre Ele é a garantia de que nada nem ninguém nos pode abalar”, vincou.

O prelado afirmou que o Beato Carlos “edificou a sua vida sobre a Palavra de Deus, procurando sempre pô-la em prática”. Recordou que o próprio Carlos, já na Madeira, dizia à sua esposa:“Sempre procurei conhecer a vontade de Deus, para melhor a pôr em prática.”

Um homem de fé e de visão

Segundo o bispo, o Beato Carlos foi “um homem de visão larga, que olhava para além do sucesso segundo os critérios do mundo”. A sua vida familiar, disse, “foi construída sobre a confiança na Virgem Maria e em Jesus Cristo”, marcada pelo lema “Subtuumpraesidium” (“À vossa proteção nos acolhemos”), gravado nas alianças de noivado em 1911.

Recordando a vida conjugal e familiar do casal imperial, D. Nuno Brás evocou o exemplo de amor e fé vivido em família lembrando que“desde o seu matrimónio, Carlos e Zita comprometeram-se a ajudar-se mutuamente a caminhar para o Céu. Foi uma casa construída sobre a rocha — sobre Jesus Cristo.”

“Exemplo para os madeirenses”

Encerrando a homilia, o bispo diocesano apelou à comunidade para seguir o exemplo do Beato Carlos. “Que a vida do Beato Carlos nos mostre que é possível, apesar das incompreensões do mundo, construir uma vida sobre a Palavra de Deus” frisou o bispo diocesano, para logo acrescentar “que ele, que quis ficar junto de nós, interceda por nós, para que cada um de nós, na sua vocação, seja capaz de edificar a sua vida sobre a rocha inabalável que é Jesus Cristo.”

A Festa Litúrgica do Beato Carlos de Áustria é já uma tradição na paróquia do Monte, onde o Beato viveu parte da sua vida em exílio e onde repousam os seus restos mortais, motivo de especial devoção para muitos fiéis madeirenses e não só.